Da batata ao Toddynho: PepsiCo cria plataforma visando negócio mais sustentável

Chamada de pep+, a plataforma visa "guiar" como a empresa opera em todas as fases do negócio

Pepsico cria plataforma para ajudar serviços da empresa a ficar mais sustentáveis
Pepsico cria plataforma para ajudar serviços da empresa a ficar mais sustentáveis SOPA Images/LightRocket via Gett

Tamires Vitoriodo CNN Brasil Business*

em São Paulo

Ouvir notícia

A PepsiCo, dona da marca de refrigerantes Pepsi e dos salgadinhos Doritos e Lay’s, anunciou nesta semana o lançamento de uma plataforma “ponta a ponta”, para ajudar a tornar todas as etapas do negócio mais sustentáveis — desde obtenção de ingredientes, fabricação e venda de produtos até a relação com funcionários.

“Imagine que LAY’S começará com uma batata cultivada de forma sustentável em um campo regenerativo e, em seguida, será entregue por meio de uma cadeia de abastecimento Net-Zero e de impacto hídrico positivo, vendida em uma embalagem bio-compostável, e com os níveis mais baixos de sódio no mercado”, diz Ramon Laguarta, presidente global da marca em comunicado. “Agora, imagine a escala e o impacto quando aplicado a todas as nossas 23 marcas globais, de bilhões de dólares”.

Para chegar a esse objetivo, a companhia estabeleceu algumas metas, como reduzir o impacto ambiental de seu processo agrícola, a partir da regeneração de cerca de 2,8 milhões de hectares nos próximos dois anos e da melhora dos meios de subsistência de mais de 250 mil pessoas em comunidades agrícolas.

Também faz parte do processo, a introdução de embalagens mais sustentáveis e a redução do uso de plástico virgem em 50% do portfólio global — como exemplo, a empresa cita a retirada do plástico que envolvia o canudo da bebida achocolatada Toddynho.

Outra meta da PepsiCo é aumentar a diversidade na companhia. No segmento, estão inclusos investimentos para fomentar o empreendedorismo de pessoas negras e de mulheres, formar jovens profissionais das periferias e também projetos com organizações não governamentais (ONGs) para auxiliar comunidades vulneráveis a ter acesso ao saneamento básico e à água. Segundo a empresa, no Brasil, serão investidos R$ 16,5 milhões em projetos de impacto social.

Chamado de pep+, a plataforma deve servir como um guia para a empresa operar. Faz parte desse movimento a meta da empresa de se tornar livre da emissão de carbono até 2040 e atingir o impacto hídrico positivo até 2030.

“Isso reflete uma nova realidade de negócios, onde os consumidores estão se tornando mais interessados no futuro do planeta e da sociedade”, diz Laguarta.

Sustentabilidade como negócio

A sustentabilidade tem ganhado popularidade entre as companhias. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), iniciativas como a reciclagem pode reduzir em um terço os prejuízos no meio ambiente até 2030 – o que ajudaria, a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC. A ONU aponta ainda que as ações também ajudam a restaurar 15% de terras comprometidas, evitando assim a extinção de milhões de espécies.

Recentemente o Mercado Livre anunciou que iria expandir a sua frota de caminhões com carretas sustentáveis. Até o fim deste ano, serão adicionados 46 veículos movidos a gás (biometano e gás natural veicular) ao comboio para fazer as entregas das compras realizadas no marketplace.

Segundo a empresa, as novas carretas a biometano emitem menos gases poluentes em comparação com as movidas a diesel, o que “minimiza o impacto ambiental da rede logística da empresa, que tem se expandido na mesma proporção que o crescimento do negócio em toda a região”.

As varejistas de moda também estão correndo contra o tempo para se tornarem mais sustentáveis. É o caso da Amaro, RetailTech, que se tornou livre da emissão de carbono negativando 30 mil toneladas de emissões em 2021 — duas vezes mais do que seria necessário para ser uma companhia carbono neutro.

No segmento de beleza, a Natura&Co comunicou em maio que concluiu uma oferta de US$ 1 bilhão em notas vinculadas a metas de sustentabilidade de 4,125%, com vencimento em 2028. Os papéis foram emitidos por sua subsidiária Natura Cosméticos.

A mudança, mais do que ambiental, também ajuda nos negócios. Isso porque os consumidores estão ficando mais preocupados com o meio ambiente. Um estudo mostra que entre 2019 e 2020 houve um aumento de 11% no número de pessoas na América Latina que aderiram às sacolas reutilizáveis. Outros 5% evitaram usar plástico e 9% pararam de comprar bebidas em embalagens plásticas.

Por que 2030?

As companhias tentam atingir as metas para a redução de seus impactos ambientais em nove anos por um motivo: a Agenda 2030. Em 2015, os representantes dos Estados-membros da ONU se reuniram e reconheceram alguns dos principais pontos indispensáveis para o desenvolvimento sustentável do capitalismo. No documento, os países — inclusive o Brasil — se comprometeram a tomar as medidas necessárias para que a sustentabilidade seja uma prioridade nos próximos anos.

Ao todo, a Agenda 2030 tem 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 169 metas. Segundo a ONU, todas servem “para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta”.

Uma das metas é zerar a emissão de carbono na atmosfera. Em 2019, segundo um relatório do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), realizado pelo Observatório do Clima, o Brasil emitiu 9,6% a mais de gases de efeito estufa do que em 2018. Ao todo, foram lançadas 2,18 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, sendo que o uso da terra, a agropecuária e o setor de energia foram os maiores responsáveis, representando 44%, 28% e 19% das emissões, respectivamente.

*Com informações de João Venturi, da CNN, e Reuters

 

Mais Recentes da CNN