De agora até o fim do ano, podemos não conseguir vender nada, diz Salim Mattar

Secretário da Desestatização do Ministério da Economia disse que meta de privatizações para 2020 não será cumprida

O secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar
O secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil(19.fev.2020)

Anna Russi, da CNN, em Brasília

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O secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar, afirmou, nesta quarta-feira (22), que não há clima neste momento para a venda de ativos da União. “De agora até o final do ano talvez não possamos vender mais nada”, disse em coletiva de imprensa via videoconferência. 

Ao longo de sua apresentação, o secretário destacou que a meta para 2020 de desestatização e desinvestimento de R$ 150 bilhões não será cumprida. No entanto, ele observou que, por conta das incertezas, a secretaria não vai estabelecer uma nova meta. “Optamos por adiantar que não vamos atingir essa meta, mas não estipularemos outro valor”, explicou.

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A secretaria apresentou ainda uma revisão na previsão da venda da Eletrobras para o setor privado. No início do ano, a expectativa era de que a privatização fosse realizada até outubro deste ano. Agora, a estatal deve permanecer sobre gestão pública até junho de 2021. “É o exemplo perfeito. Esperávamos poder fazer a capitalização em outubro e o plano foi postergado. Não há ambiente no mercado para a venda de participações e ativos. A crise nos surpreendeu”, comentou o secretário.

Apesar do postergamento no cronograma da privatização da Eletrobras, Mattar acredita que o Projeto de Lei que autoriza a venda da estatal não terá resistência para ser aprovado pelo legislativo ainda neste ano. O texto retira o poder de veto da União e reduz as participações do Estado em mais de 50%.

Mattar também colocou a instabilidade nos mercados financeiros como um obstáculo para a continuidade da agenda de desestatização deste ano. “Com a bolsa nesse nível, não é momento ideal de vender essas participações. Teremos que esperar o momento oportuno em que o mercado retorne para vender as participações no melhor preço possível, mas não sabemos precisar quanto tempo levará”, observou.

Para 2021, ele já adiantou que a meta de desinvestimento e desestatização será desafiadora, no entanto ponderou que o montante vai depender do movimento de retomada da atividade econômica.

O secretário ainda comentou que talvez a visão sobre a atual lista de estatais a não serem privatizadas tenha que ser revista. “Algumas coisas dependem do Congresso, sabemos que Congresso tem sido responsável. Esperamos obter aval necessário para vender algumas empresas, como Eletrobras, Correios e Casa da Moeda”, disse.

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