Demanda por energia no Brasil deve registrar alta de 2% em março, aponta ONS

Resultado indica recuperação econômica no país, em função da melhora da pandemia da Covid-19

Linhas de transmissão de energia elétrica
Linhas de transmissão de energia elétrica REUTERS/Ueslei Marcelino

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta um aumento de 2% na carga de energia do Brasil para este mês de março, quando comparado com o mesmo período de 2021. A informação é do último boletim do Programa Mensal de Operação (PMO).

O informe do ONS relaciona a alta na carga energética para este mês com a melhora do cenário epidemiológico da Covid-19 no país, que registra tendência de queda de casos na maior parte dos estados brasileiros, segundo boletim mais recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, a retomada da economia no país e a reativação das indústrias resultam na maior demanda por luz.

O subsistema Sul do Brasil sinaliza o crescimento mais expressivo, com uma alta de 4% na carga, segundo o informe. Na prática, a expectativa é de que sejam produzidos 13.536 Megawatts (MW) médios na região em março.

Logo em seguida, aparecem as usinas do Nordeste do país, que terão um aumento de 3,8% na demanda. Já o Norte do país deve registrar uma alta de 0,2%. Os resultados correspondem, respectivamente, a 13.247 MW e 5.942 MW médios.

Em relação ao subsistema Sudeste/Centro-Oeste, é esperado alta de 1,2% em março de 2022, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. Trata-se do maior aumento absoluto na demanda do país, apesar de percentualmente não ser o resultado mais alto. O subsistema, que concentra 70% da carga energética do Brasil, deve produzir 42.983 MW neste mês.

Apesar dos bons resultados energéticos no indicador em março, a demanda elétrica ainda é menor que a esperada pelos especialistas da ONS.

O boletim aponta que “o desempenho da carga ao longo dos primeiros meses do ano tem sido influenciado ainda pela incerteza na economia”, pela possibilidade de futuras variantes da Covid-19.

“O desempenho da carga ao longo dos primeiros meses do ano tem refletido a recuperação, no entanto, ainda com cautela. Publicações recentes mostram uma certa desaceleração da demanda na indústria, em função da persistência de gargalos produtivos que pressionam os custos”, destaca o ONS.

No ano passado, o acionamento das termelétricas por conta da falta de chuvas fez o país criar a bandeira da escassez hídrica. Apesar de um aumento do gás natural ser aguardado por conta da guerra na Ucrânia, pesquisadores ouvidos pela CNN, por enquanto, descartam efeitos para a conta de luz dos brasileiros.

O economista da FGV Diogo Lisbona afirmou que a maior demanda energética no país não será repassada à população, apesar do possível aumento no preço do gás natural.

No mesmo sentido, o professor de recursos hídricos da Coppe/UFRJ Paulo Canedo destaca que a energia no país, com a melhora do nível dos reservatórios, está pouco dependente das termelétricas que utilizam o gás natural, já que o volume de chuvas retomou os trabalhos das hidrelétricas.

Em agosto de 2021, em função da escassez hídrica, dados do ONS apontaram que a geração de energia por termelétricas bateu recorde no Brasil.

Na época, foram gerados cerca de 20.970 megawatts-médios (MWmed), superando o recorde anterior registrado no mês de julho (18.625 MWmed).

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