Diesel da Petrobras está defasado e precisa de ajuste, dizem importadores

Os importadores reconhecem que, ao longo de maio, os preços flutuaram no entorno da paridade de importação

Frentista abastece veículo em posto da companhia estatal PDVSA, em Caracas (13/02/2016)
Frentista abastece veículo em posto da companhia estatal PDVSA, em Caracas (13/02/2016) Foto: REUTERS/Marco Bello

Por Marta Nogueira, da Reuters

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 A defasagem do diesel da Petrobras ante os valores internacionais voltou a superar os 10 centavos de real por litro ao longo desta semana, nos cálculos de importadores independentes de combustíveis, que estão agora na expectativa de que a companhia reajuste o combustível fóssil, afirmou representante do setor.

Os importadores reconhecem que, ao longo de maio, os preços flutuaram no entorno da paridade de importação, o que justificaria uma ausência de mudanças nos preços da Petrobras desde 1º de maio.

No entanto, o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, ressaltou que desde o início desta semana a defasagem do diesel tem ficado sempre maior que 10 centavos por litro, na média de seis portos avaliados – Itacoatiara, Itaqui, Suape, Aratu, Santos e Araucária.

“Desde a saída de (Roberto) Castello Branco (da Presidência da Petrobras), a gente observa que os preços tem flutuado pela paridade… Agora já vemos um afastamento”, disse o presidente da Abicom, que representa nove importadoras.

“Caberia agora um aumento da ordem de 8 a 10 centavos por litro para que fique comprovado que a Petrobras vai continuar acompanhando a paridade, como vem sendo afirmado pelos executivos.”

Segundo ele, oportunidades de importação seguem inviabilizadas em todos os portos.

Castello Branco foi substituído do comando da Petrobras pelo presidente Jair Bolsonaro, que o culpou por um avanço expressivo dos preços da companhia ao longo deste ano.

Agora o mercado acompanha de perto os movimentos de Joaquim Silva e Luna, que assumiu a liderança da estatal em 19 de abril, mas ainda não havia sido testado por um avanço consistente de preços no exterior.

A gestão de Luna realizou apenas um ajuste, em 1º de maio, quando pôde inclusive cortar preços. Em poucas declarações, defendeu a manutenção da política de paridade internacional de valores, mas evitando o repasse da volatilidade externa.

No acumulado de maio, o petróleo Brent tem alta de quase 10%, sendo cotado perto de US$ 70  por barril. Na última semana, subiu cerca de 5%.

Posição da Petrobras 

Procurada, a Petrobras afirmou que não antecipa suas decisões de preços e reiterou que os reajustes “podem ser realizados a qualquer tempo, sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise do ambiente externo”.

“Isso possibilita à companhia competir de maneira mais eficiente e flexível e evita o repasse imediato da volatilidade externa para os preços internos”, disse a estatal em nota.

Sobre as declarações da Abicom, a Petrobras afirmou que a associação “representa o interesse de um grupo reduzido de ‘trading companies’, e que os custos efetivos de importação variam de agente para agente, dependendo de características como, por exemplo, o acesso a infraestrutura logística e a escala de atuação”.

“Por esse motivo, as declarações da Abicom devem ser vistas com cautela, ao pretender estabelecer uma espécie de ‘proteção’ para operações menos eficientes”, acrescentou a empresa.

A petroleira disse ainda que a prática de preços competitivos e em equilíbrio com os mercados internacionais pode ser comprovada pela continuidade das importações por diversos agentes, distribuidoras e trading companies –ainda que em menor escala– conforme dados do Painel Dinâmico do Mercado Brasileiro de Derivados e Biocombustíveis da ANP.

Em meados do mês, durante conferência com analistas, o diretor-executivo de Comercialização e Logística da Petrobras, Cláudio Mastella, disse que a nova gestão da empresa manteve a maneira de gerenciar ajustes de preços dos combustíveis e busca praticar valores em níveis competitivos, evitando repassar volatilidade internacional ao mercado interno.

Em relatório publicado nesta sexta-feira (28)  analistas do JP Morgan elevaram a recomendação dos papéis da Petrobras para ‘overweight’, estabelecendo preço-alvo das ações a R$ 35,5 para o final de 2021, de acordo com relatório a clientes.

Os analistas ressaltaram uma menor percepção de risco com a nova administração não apenas mantendo a direção estratégica, mas agindo no sentido dessa continuação.

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