Diretor da ANP diz que agência trabalha para garantir abastecimento de derivados

Durante cerimônia de posse de novos membros da diretoria, Rodolfo Saboia admitiu que cenário internacional é desafiador

Rodolfo Saboia: diretor-executivo da agência não fez projeções e não estabeleceu prazos, mas mencionou que o cenário internacional tem modificado as escolhas feitas pelo mercado
Rodolfo Saboia: diretor-executivo da agência não fez projeções e não estabeleceu prazos, mas mencionou que o cenário internacional tem modificado as escolhas feitas pelo mercado Marcos Oliveira/ Agência Senado

Stéfano Sallesda CNN

Rio de Janeiro

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Durante cerimônia de posse de quatro novos integrantes da diretoria colegiada Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro, o diretor-executivo da agência, Rodolfo Saboia, reconheceu que o cenário de oferta de derivados de petróleo e complexo e desafiador.

A declaração ocorreu nesta segunda-feira (6), uma semana depois de ter se tornado pública uma carta do presidente da Petrobras, José Mauro Coelho Ferreira, dirigida ao comando da agência, na qual menciona “elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022”.

“O abastecimento de derivados é hoje um desafio global. Na ANP, temos trabalhado com muito afinco para honrar o nosso compromisso com a sociedade, de garantir o abastecimento e proteger os interesses dos consumidores. Por outro lado, as preocupações com a segurança energética reforçam o nosso posicionamento estratégico de aumentar a atratividade brasileira como produtor de petróleo e gás natural”, afirmou Rodolfo Saboia.

O diretor-executivo da agência não fez projeções e não estabeleceu prazos, mas mencionou que o cenário internacional tem modificado as escolhas feitas pelo mercado e revertido um panorama que parecia claro até outubro do ano passado, quando ocorreu a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021, em Glasgow, na Escócia.

“Enfrentamos um contexto internacional bastante complexo e desafiador. Que está impactando profundamente os mercados de energia no curto prazo e, ao mesmo tempo, provocando revisão nos cenários de médio e longo prazos. Se até bem pouco tempo atrás os debates sobre as estratégias de descarbonização se impunham de maneira incondicional, agora o mundo se dá conta de que a transição não pode acontecer sem levar em conta a segurança energética”, afirmou.

Castro quer nova discussão sobre ICMS

Governador do Rio de Janeiro, estado que sedia a agência, Cláudio Castro (PL) esteve presente à posse da nova diretoria e reiterou a importância do setor de óleo e gás para o estado, que abriga mais de 80% das reservas brasileiras provadas de óleo e mais de 60% das de gás natural.

Castro destacou a importância de se chegar a um acordo sobre os preços dos combustíveis.

Atualmente, o governo avalia a possibilidade de torná-los produtos essenciais, o que reduziria a alíquota máxima para 17%.

O Rio de Janeiro pratica a mais alta alíquota do país para a gasolina: 34%. A mudança a reduziria à metade.

“E penso que temos que fazer uma grande discussão sobre os preços do combustível e da energia. Penso que um ou outro órgão ser diminuído não é a solução para o país. Mas a grande solução é uma grande discussão de toda a cadeia, desde aquele que produz até a bomba, passando pelos governos. Essa discussão fará muito bem ao país, ao estado do Rio de Janeiro, e, principalmente, fará bem a nossa população tão guerreira, e que já paga altíssimos impostos”, avalia o governador.

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