Dívidas das famílias já comprometem 26% do valor do Auxílio Brasil, aponta CNC

Segundo o estudo, desemprego e inflação são os principais fatores para o comprometimento dos gastos com o benefício

De acordo com a CNC, em 2021 o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde, com uma média de 70,9%.
De acordo com a CNC, em 2021 o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde, com uma média de 70,9%. Getty Images

Lucas JanoneElis Barretoda CNN

no Rio de Janeiro

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A situação financeira das famílias brasileiras apresenta um cenário preocupante. Um estudo produzido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), coordenado pelo economista Fábio Bentes, mostra que 26% do valor total que será repassado aos brasileiros pelo Auxílio Brasil já estão comprometidos por dívidas anteriormente contraídas.

Na prática, as famílias brasileiras precisarão usar aproximadamente R$ 21,6 bilhões do valor do Auxílio Brasil para o pagamento de passivos adquiridos durante a pandemia de Covid-19.

Ao todo, o governo federal distribuirá R$ 84 bilhões em repasses do programa social para cerca de 17,5 milhões de pessoas.

“O alto número de desempregados é o primeiro fator que podemos destacar. Sem uma renda fixa, as pessoas costumam recorrer às dívidas e acabam não conseguindo pagar. O segundo ponto é a alta da inflação, que cresce há alguns meses, diminuindo ainda mais o poder financeiro da população. Os salários não acompanharam o aumento da inflação”, destacou o professor e economista do Ibmec, Christiano Arrigoni.

O levantamento também mostra que 43% do valor total do Auxílio Brasil será revertido em consumo imediato pelos brasileiros, o equivalente a R$ 59,1 bilhões.

Nos setores de serviços e varejo, os brasileiros devem desembolsar R$ 31,1 bilhões e R$ 28 bilhões, respectivamente. Os beneficiados pouparão apenas 3,8% do montante do valor – ou R$ 3,2 bilhões – do programa social.

O economista da CNC, Fábio Bentes, esclarece que o consumo imediato da população, que será feito com os recursos distribuídos pelo Auxílio Brasil, depende de três fatores: rendimento familiar, nível de preços e grau de endividamento.

Ele também explica que poucos brasileiros conseguem investir na poupança atualmente em função do desemprego causado pela pandemia.

De acordo com a CNC, em 2021 o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde, com uma média de 70,9%. Na comparação com 2020, o crescimento foi de 4,4 pontos percentuais, o maior aumento registrado nos últimos 11 anos, quando começou a série histórica.

Na terça-feira (18), o Auxílio Brasil foi pago às famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com número de identificação social (NIS) final 1. Nesta quarta-feira (19), os R$ 400,00 serão repassados aos beneficiários com NIS final 2.

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