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    Divisão da Covid: a crise jogou uns na pobreza e impulsionou a riqueza de outros

    Cerca de metade das famílias dos EUA relatou uma queda na renda neste ano; mas outros mantiveram seus empregos e estão terminando o ano em uma situação melhor

    Foto: Max Böhme / Unplash

    Jeanne Sahadi, CNN Business

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    Para muitos norte-americanos, os efeitos econômicos da pandemia foram devastadores. Milhões perderam seus empregos. A insegurança alimentar e de habitação disparou. E cerca de metade das famílias dos EUA relataram uma queda na renda neste ano, de acordo com o site Bankrate.com.

    A vida vai ficar pior para eles se não conseguirem mais ajuda financeira ou trabalho remunerado.

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    Mas outros, sortudos o suficiente para manter seus empregos e até mesmo trabalhar de casa, estão terminando o ano em uma situação financeira melhor, ou pelo menos não afetada, graças a fatores como mercado de ações em alta, aumento da poupança ou aumento da demanda por seus negócios.

    Ele nunca se imaginou assim

    Infelizmente, Barnell Garrett se encontra na categoria “pior”.

    Em março, seu emprego como gerente de vendas de um hotel em Seattle desapareceu. Primeiro ele ficou em licença, depois foi demitido de forma definitiva.

    O seguro-desemprego de Garrett expira no final de dezembro, e ele não sabe se terá direito a uma extensão. Seus custos de plano de saúde são agora de US$ 641 por mês, bem acima dos US$ 150 que ele estava pagando quando seu empregador subsidiava o convênio. Garrett está considerando sacar cerca de US$ 25 mil de sua previdência privada para pagar a dívida extra do cartão de crédito que acumulou durante a pandemia para comprar mantimentos e pagar o seguro, bem como um empréstimo privado que ele fez alguns anos atrás.

    Ele diz que pode pagar suas contas até janeiro, mas, se não conseguir ajuda logo, terá que ir morar com sua mãe se não conseguir achar um lugar muito mais barato para morar. Chegando aos 40 anos, ele nunca imaginou que viveria uma situação assim.

    Como não espera que o setor hoteleiro, onde construiu sua carreira, se recupere rapidamente, ele está buscando vagas em outras áreas. Mesmo disposto a aceitar um salário menor, Garrett está chocado com o quão baixo é o pagamento oferecido, mesmo quando o empregador exige um diploma universitário e anos de experiência.

    “Várias vagas inicialmente pareciam empregos bem remunerados, mas durante a entrevista eu descobri que eles pagam pouco mais que o salário mínimo de US$ 15 [por hora] de Seattle, menos do que meu auxílio-desemprego mensal”, disse Garrett.

    Adeus à previdência privada

    Olivia Bukosky disse que, no ano passado, era uma mãe trabalhadora e vivia uma vida de classe média em Owings Mills, Maryland.

    Em 2020, ela perdeu o emprego em administração de imóveis, esgotou seu plano de previdência privada e tem recebido seguro-desemprego e vale-refeição.

    O aluguel está atrasado e ela teme ser despejada em janeiro se o proprietário não conseguir subsídios estatais para o aluguel.

    Se isso acontecer, disse Bukosky, ela terá que ficar com amigos ou voltar para a casa que ainda possui com o marido, de quem está se divorciando. “Mas não é um bom ambiente”.

    Ela deseja que o divórcio prossiga, mas isso terá que esperar. “Não posso cobrar pensão alimentícia até irmos ao tribunal. Não consigo pagar um advogado e a assistência judiciária não vai nem pensar em divórcios até que a pandemia termine”, contou.

    Como Garrett, Bukosky também está procurando trabalho fora de sua área. Ela tem se candidatado a empregos e até conseguido entrevistas, mas até agora nenhuma oferta. “Estou procurando em tudo. Eu só preciso trabalhar”.

    A mulher tem amigos para lhe dar apoio emocional, mas hesita em se abrir. “Um amigo entrou em contato hoje e eu não queria dizer a ele como estava, porque não tinha nada de bom a dizer. Sou como um disco riscado”, disse Bukoski. “Foi um ano horrível”.

    Gratos pela sorte que tiveram

    A história tem sido muito diferente para pessoas como o advogado imobiliário Paul Levine, a veterinária Danielle Sawyer e os viajantes de aventura Michael e Melissa Harlow.

    Levine, que trabalha em negócios imobiliários residenciais e comerciais, inicialmente viu uma grande queda nos negócios de meados de março a maio. Mas, desde então, ele tem ficado “incrivelmente ocupado. Há muito dinheiro entrando no mercado”.

    Embora o advogado ainda não saiba se sua receita total este ano será superior à do ano passado, ele imagina que sim. Mesmo que isso não acontecesse, ele ainda se considera em melhor situação financeiramente porque o dinheiro que economizou por não viajar ou sair para comer fora foi para suas reservas e para pagar contas.

    “Sinto-me grato por poder pagar meu financiamento imobiliário e as despesas de minha casa”, disse Levine.

    A clínica veterinária de Sawyer registrou um aumento de 50% nos clientes porque muitas pessoas compraram ou adotaram cães e gatos durante a pandemia. Além disso, muitas pessoas compraram animais de estimação no site Craigslist ou através de criadores inescrupulosos online e acabaram tendo pets doentes e que precisam de cuidados médicos. “Parece um dia interminável para nós”, contou Sawyer.

    Mesmo sobrecarregada, ela sabe que isso significa o melhor ano em termos financeiros desde que se tornou veterinária, o que a ajudou a pagar seu financiamento estudantil e comprar o apartamento em que a veterinária e sua filha pequena agora moram.

    Para Michael e Melissa Harlow, com filhos já adultos, a pandemia confirmou a sabedoria de sua decisão, anos atrás, de pagar dívidas e reduzir o tamanho de seus gastos e pertences para que pudessem deixar seus empregos corporativos. Embora ainda precisem trabalhar para não ter que tocar nas economias para a aposentadoria, eles o fazem de um jeito atrelado ao amor pela aventura.

    O casal opera um serviço online de aluguel de veículos recreativos, como trailers. Segundo contam, os negócios no verão dos EUA foram muito bons, pois as pessoas procuraram maneiras seguras de viajar por causa da Covid-19. Melissa também trabalha como dubladora freelance, o que ela faz em um estúdio que criou na casa de hóspedes que eles alugam em um rancho perto de San Diego, Califórnia.

    Além disso, eles observaram, suas economias aumentaram porque estão gastando menos em viagens e outras atividades em 2020.

    “Estou grata por termos diminuído nossos gastos e pertences por tantos anos. Valeu a pena estar onde estamos agora”, disse Melissa.

    Financeiramente estável

    Para algumas pessoas, a pandemia não significou nem uma benção, nem uma tragédia.

    Originalmente da Holanda, Jan Jansen, um médico aposentado, e sua esposa, Catharine, se mudaram para Santa Fé há alguns anos, após décadas morando e trabalhando em Indianápolis.

    A renda permaneceu estável, em parte graças ao aumento do mercado de ações. E os dois gastaram menos porque não podem ir a restaurantes ou viajar. Em vez disso, eles estão doando para bancos de alimentos e dando dinheiro para os serviços sociais de sua igreja.

    “É triste ver como um país pode falhar completamente com sua população”, disse Jansen.

    Segundo Jansen, a principal coisa que perderam foi um ano de suas vidas. “Nosso principal problema é um ano perdido, que conta mais quando seu horizonte está mais curto”.

    Enquanto isso, a servidora pública federal Leigh Ramunni, de Massachusetts, disse que perdeu parentes para a Covid-19. Mas ela é grata por não ter perdido o emprego e poder trabalhar em casa, já que seu marido não trabalha mais por causa de uma deficiência.

    Ramunni conta que estoca comida há seis meses porque tem asma e tenta não sair muito. Além disso, está doando mais, tanto em dinheiro quanto em alimentos.

    “Temos sorte de ter mais, então damos mais”, disse ela. “Nós nos consideramos abençoados, mas também oramos para que algo de positivo surja. Como uma nação rica e poderosa, não devíamos ter filas de alimentos e despejos durante uma pandemia”.

    (Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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