Dólar termina a R$ 5,26, pressionado por dados ruins sobre o desemprego nos EUA

No exterior, divisas arriscadas, como dólar australiano, peso mexicano e rand sul-africano, também registravam perdas nesta quinta-feira (2)

Moeda americana bateu novo recorde frente ao real na quinta (2), a R$ 5,28 (02.Mar.2020)
Moeda americana bateu novo recorde frente ao real na quinta (2), a R$ 5,28 (02.Mar.2020) Foto: Guadalupe Pardo/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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Em uma sessão volátil, o dólar terminou praticamente estável nesta quinta-feira (2), após ser pressionado ao longo da tarde por dados ruins sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. A moeda norte-americana terminou com variação positiva de 0,09%, a R$ 5,2661. Na máxima, chegou a R$ 5,2860.

O número de norte-americanos que apresentaram pedidos de auxílio-desemprego na semana passada atingiu um recorde de 6,65 milhões ante 3,3 milhões em dado não revisado na semana anterior, informou o Departamento do Trabalho dos EUA.

“O dado veio bem acima do consenso, muito pior do que o esperado. Isso sugere um impacto econômico bem maior do que o imaginado na economia norte-americana”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.

“A divulgação de um número de pedidos tão acima do esperado deverá provocar mais um momento de turbulência e volatilidade no mercado” no curto prazo, disse em nota a Levante Investimentos.

Ainda que tenha se afastado das máximas do dia, perto de R$ 5,29, o mercado não conseguiu imprimir vendas a ponto de derrubar a cotação. A demanda por dólares segue forte no Brasil e no mundo diante da necessidade das empresas de levantar caixa para fazer frente à recessão global. 

“O dólar vai permanecer forte”, disse Rodrigo Franchini, sócio e chefe de produtos da Monte Bravo. Segundo ele, devido à crise do coronavírus e à esperada contração da economia neste ano, o valor “justo” para a divisa se encontra entre R$ 5,10 e R$ 5,20.

Essa faixa é próxima às cotações atuais e bem acima da taxa de R$ 4,50 prevista por analistas consultados pelo Banco Central para a pesquisa Focus.

O Bank of America revisou de R$ 4,80 por dólar para R$ 5,20 sua estimativa para a taxa de câmbio ao término de 2020, mesmo acreditando que o BC continuará intervindo no mercado para conter volatilidade e distorções.

Nesta sessão, o Banco Central (BC) ofertou até 10 mil contratos de swap cambial tradicional, com vencimento em outubro de 2020 e janeiro de 2021.

*Com informações da Reuters

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