Dólar tem dia de correção e fecha em R$ 5,13, alta de 0,89%

Durante a sessão, que foi bem volátil, a moeda chegou a variar entre alta de 1,1% (a R$ 5,14) e uma queda de 1,2% (a R$ 5,02). O motivo? Tensões internacionais

Foto: Alexander Schimmeck/Unsplash

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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Após dias de fortes quedas, o dólar ajustou o seu valor para cima nesta quinta-feira (4). O dólar à vista fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,13. Durante a sessão, que foi bem volátil, chegou a ter uma alta de 1,1% (a R$ 5,14) até uma queda de 1,2% (a R$ 5,02).

A quinta-feira começou com tensões crescentes entre Estados Unidos e China. Os países ameaçam não deixar companhias aéreas originárias dos países rivais pousarem em seus aeroportos.

Com isso, bolsas chinesas sofreram durante o dia e o mercado internacional monitora a situação. O real chegou a operar em alta nos primeiros negócios do dia, reagindo à emissão de US$ 3,5 bilhões no mercado externo pelo Tesouro Nacional, mas depois virou o sinal.

Para analistas, o futuro da moeda ainda é incerto, e muitos descartam uma recuperação definitiva do real. Luciano Rostagno disse que acha “difícil ver o real sendo negociado abaixo do patamar de 5 reais por dólar por um período prolongado de tempo. No curto prazo ainda há muita incerteza, que deve impedir a moeda de cruzar esse nível de forma sustentável”.

Histórico

O dólar fechou em queda forte pelo segundo dia seguido nesta quarta-feira (3), voltando a se reaproximar dos R$ 5. O dólar comercial caiu 2,38%, a R$ 5,086  na venda. É o menor valor para a moeda americana desde 26 de março, também a última vez em que a cotação fechou abaixo dos R$ 5 (R$ 4,996)

Na terça-feira (2), o dólar havia fechado a R$ 5,21, com queda de 3,2%, sua maior retração em dois anos.

A reabertura de economias ao redor do globo, após pandemia do novo coronavírus, tem mantido os investidores internacionais animados, o que aumenta o apetite por ativos de risco, como moedas e ativos financeiros de países emergentes. 

O sentimento também vem impulsionando o câmbio e a Bolsa por aqui, apesar do Brasil ter renovado seu recorde de mortes por Covid-19 na terça-feira (2).

“O movimento de redução da aversão a risco no mundo e no Brasil”, disse Flávio Serrano, economista-chefe do banco Haintong, “Nos últimos dias os dados econômicos têm sido positivos, com sinais de retomada das atividades no exterior.”

Há um sentimento de que o pior da crise possa ter passado em boa parte do mundo, com tendência de melhoras na economia global daqui para frente, completou Serrano.

Dados econômicos da China desta quarta-feira mostraram uma recuperação no setor de serviços em maio, enquanto números da zona do euro indicaram que o pior da crise na União Europeia ficou para trás, o que fortalecia as apostas numa retomada econômica nas principais potências mundiais.

Além disso, nos Estados Unidos, o setor privado fechou bem menos vagas de trabalho do que o esperado em maio, com os empregadores demitindo outros 2,76 milhões de trabalhadores, contra expectativa de 9 milhões de perdas de emprego.

Apesar da queda expressiva do dólar –que já perdeu muito terreno desde que ficou a poucos centavos de superar R$ 6 no mês passado–, analistas não descartam a possibilidade de volatilidade daqui para frente diante das tensões políticas locais, entre o Executivo e o Judiciário, e nos EUA, em meio a protestos contra o racismo e a violência policial.

O dólar ainda acumula alta nominal de cerca de 25% contra o real no ano de 2020, impulsionado por um cenário de juros baixos e incertezas políticas e econômicas. Há algumas semanas, nesse contexto, a expectativa de boa parte dos mercados era de que a divisa iria superar os R$ 6.

Agora, entre os analistas, uma recuperação definitiva do real é incerta. Para Flávio Serrano, a divisa está voltando ao patamar em que deveria estar, mas citou a imprevisibilidade dos mercados, destacando riscos negativos como a possibilidade de uma segunda onda de contaminações por Covid-19.

*Com Reuters

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