Dólar sobe 1% com mercado na defensiva após decisão do Fed de manter juros

No fim da sessão, a moeda norte-americana terminou em valorização, de R$ 1,05%, a R$ 4,9398; véspera de feriado no Brasil reforçou cautela

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Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar terminou em alta de 1% nesta quarta-feira (10), se descolando das operações no exterior, e depois da decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, de manter a taxa de juros nos Estados Unidos entre 0% e 0,25%.

No fim da sessão, a moeda norte-americana terminou em valorização, de 1,05%, a R$ 4,9398. A baixa também reflete uma posição mais defensiva antes de feriado no Brasil, nesta quinta-feira (11). 

Nesta quarta-feira, ao final de uma reunião de dois dias, as autoridades do Fed decidiram manter o atual patamar de juros perto de zero, e indicou que não voltar a subi-los tão cedo. As primeiras projeções econômicas do Fed desde dezembro apontam para a taxa de juros perto de zero até ao menos 2022.

Após o anúncio, a cotação voltou a cair, mas rapidamente recobrou forças até bater a máxima da sessão, de R$ 4,9623 (+1,51%), às 15h55. Houve alguma realização de lucros posteriormente, mas nada que impedisse o fechamento em alta.

Analistas da Infinity Asset escreveram que “entender o ponto de vista da autoridade monetária sobre a economia neste momento é importante para entender a velocidade esperada da recuperação dos indicadores econômicos em meio à retomada parcial da atividade em diversas localidades”.

“O mercado está tirando o pé do acelerador. A recuperação (dos ativos) no Brasil foi muito forte, muito rápida”, disse Adriano Cantreva, sócio da Portofino. “Os preços estão esticados em relação ao fundamental, e no Brasil ainda mais”, completou.

Já na terça o dólar havia subido 0,69%, após cair 2,66% na segunda-feira, quando atingiu o menor valor em 12 semanas. A cotação vinha de 11 quedas dentre 14 pregões e até a segunda acumulou baixa de 17,73% desde a máxima recorde de fechamento –de R$ 5,9012, alcançada em 13 de maio.

O feriado na quinta-feira também respaldou a posição mais conservadora do mercado. Investidores costumam reduzir exposição antes de dias sem negociação visando minimizar riscos de perdas a depender do noticiário.

E, apesar de aparente descompressão nas últimas semanas, o front político segue no radar de operadores. “O cenário político afeta mais dólar do que, por exemplo, a bolsa, por causa do componente de investimento estrangeiro”, disse Helena Veronese, economista-chefe na Azimut Brasil Wealth Management. “Talvez tenhamos esse descolamento (do câmbio em relação ao exterior) mais vezes”, acrescentou.

Enquanto o dólar subiu 1,05% no Brasil, a moeda norte-americana cedia no fim da tarde 0,9% contra rand sul-africano, 0,2% ante peso mexicano, 0,3% frente à lira turca e 0,6% em relação à moeda da Austrália. O índice do dólar contra uma cesta de seis rivais de países desenvolvidos perdia 0,4% e renovou mínimas em cerca de três meses.

Analistas avaliam que o câmbio também pode encontrar mais resistência para apreciação adicional diante de renovada expectativa de afrouxamento monetário no Brasil. Embora tenha vindo acima das previsões, o IPCA de maio, divulgado nesta quarta pelo IBGE, registrou a maior deflação desde agosto de 1998, e o acumulado em 12 meses se distanciou ainda mais do piso da meta perseguida pelo Banco Central (BC).

“De certa maneira, não vemos espaço para pressão de demanda para a inflação no curto prazo devido ao hiato aberto e à inércia favorável”, afirmou Julia Araujo, economista sênior do Itaú Unibanco.

O banco privado prevê Selic ao fim do ano de 2,25%, mas no mercado alguns analistas têm se posicionado para um juro abaixo de 2%. A queda da Selic é citada como fator que pressionou o câmbio nos últimos tempos, já que reduziu a taxa paga por títulos de renda fixa e colocou o Brasil em desvantagem em relação a outros emergentes com juros básicos mais elevados.

*Com Reuters

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