Dólar sobe e fecha a R$ 5,46, na 3ª semana de alta, com cautela no exterior

Cotação subiu pela terceira semana consecutiva, período em que acumulou apreciação de quase 10%

Foto: Chance Agrella/Freerange Stock

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O dólar fechou em forte alta contra o real nesta sexta-feira (26), a R$ 5,46, na máxima em um mês. Foi o terceiro ganho semanal consecutivo, em meio a um exterior avesso a risco e à percepção de que o Banco Central está minimizando o constante vaivém nos preços.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 2,58%, a R$ 5,4652 na venda, maior valor desde 22 de maio (R$ 5,5739 na venda).

A cotação operou com ganhos durante todo o pregão. Na máxima, saltou 3,12%, a R$ 5,494, e na mínima, subiu 0,76%, para R$ 5,3685. O real foi, de longe, a moeda de pior desempenho nesta sessão.

“O mercado de câmbio segue o padrão de volatilidade que ocorreu durante o mês de junho inteiro. A gente tem visto uma amplitude de R$ 0,10, R$ 0,15 entre a máxima e a mínima intradia todo dia e hoje não foi diferente. É uma posição muito pessimismo, aversão a risco por conta do receio novamente do Covid”, diz Fernando Bergallo, sócio da FB Capital.

Na semana, a valorização foi de 2,76%. Foi a terceira semana consecutiva de alta, período em que a cotação acumulou apreciação de 9,57%.

Na quarta-feira, o dólar fechou em forte alta de 3,33%, um dia depois de cair 2,26%. Na quinta, a cotação oscilou entre ganho de 1,06% e queda de 1,07%. Na semana passada, a moeda acumulou salto de 5,41%, o mais forte desde a semana finda em 8 de maio.

Os números evidenciam a volatilidade realizada (passada). E, pelos dados da volatilidade implícita (futura), uma medida da incerteza sobre a taxa de câmbio, a intensa oscilação dos preços deve persistir.

A volatilidade implícita nas opções de dólar/real para três meses subiu nesta sexta para 21,7%, máxima desde meados de março, quando os mercados estavam sob forte pressão decorrente da pandemia de coronavírus. A volatilidade implícita para o real é a maior entre as principais moedas emergentes.

“Num curto período de tempo, a taxa de câmbio dá um salto quântico de R$ 4,00 para R$ 6,00, volta para R$ 4,80 e pula para R$ 5,50. Variações cambiais diárias da ordem de 2, 3, 4%!”, escreveu no Twitter Sergio Goldenstein, que já chefiou o Departamento de Operações de Mercado Aberto do Banco Central.

“O que fazer? Antes de tudo, o BC não minimizar a elevada volatilidade e atuar de forma mais incisiva, o que tornaria menos interessante a utilização da moeda como hedge. Em segundo lugar, interromper o processo de queda de juros”, acrescentou.

Goldenstein questionou o benefício à atividade de um juro real negativo e apontou risco de a economia ser afetada pela instabilidade da moeda e seus efeitos sobre o horizonte para investimentos e indicadores de confiança.

Atuação do BC

Na véspera, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, reconheceu que a volatilidade no Brasil está um pouco elevada, mas afirmou que isso não significa que está piorando consistentemente. Campos Neto avaliou que a atuação da autoridade monetária tem sido bem sucedida no mercado cambial, e sublinhou que a forma de intervir do BC não é para estabelecer nenhuma banda ou limite para o câmbio. 

Nesta sexta, o BC voltou a recorrer à venda de dólares à vista, o que não acontecia desde o último dia 1º. A autoridade monetária colocou US$ 502,5 milhões em moeda. O dólar saiu das máximas, mas permaneceu em firme alta até o fim da sessão, e o real seguiu com o pior desempenho no dia.

O BC também fez nesta sexta colocação de US$ 1,5 bilhão para rolagem de linhas de dólares com compromisso de recompra e de 12 mil contratos de swap cambial tradicional – também para rolagem.

Analistas dizem que a volatilidade no câmbio, além de associada ao ambiente externo ainda incerto, é intensificada por dúvidas no plano fiscal – que, contudo, não impediram o BC de cortar a Selic recentemente, reduzindo ainda mais a atratividade do real.

“Preservar a estabilidade fiscal em meio a preocupações com as contas públicas garante uma abordagem ‘cautelosa’ em relação a afrouxamento monetário, conforme repentinas saídas de recursos e depreciação cambial podem desancorar expectativas de inflação e forçar o Banco Central a elevar os juros no momento em que a recuperação precisa de taxas baixas”, disseram analistas do Morgan Stanley em nota.

O movimento do câmbio nesta sessão também foi influenciado pelo exterior, onde mais uma vez predominaram temores sobre uma segunda onda de infecções por Covid-19, especialmente nos EUA. No fim da tarde, o dólar subia 1,6% ante peso mexicano e 1,4% contra rand sul-africano – moedas de risco, assim como o real.

“Há ainda uma tensão sobre os desdobramento da prisão de Fabrício Queiroz. Embora a decisão do tribunal tenha sido favorável ao processo do Flávio Bolsonaro, acho que há um receio muito grande ainda quanto aos desdobramentos de tudo isso para a agenda de reformas pós-pandemia”, diz Bergallo, da FB Capital.

*Com Reuters

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