Dólar sobe 0,34% e fecha acima de R$ 5,30; Ibovespa avança 1,84%

Principal índice da B3 estendeu ganhos da véspera e ficou acima dos 112 mil pontos, com atenções de investidores voltadas para decisões de política monetária do Federal Reserve

Alívio sobre Evergrande e precatórios pressionam dólar antes de decisões de BCs
Alívio sobre Evergrande e precatórios pressionam dólar antes de decisões de BCs 26/03/2015REUTERS/Gary Cameron

Reuters

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Medidas na China para lidar com a Evergrande reduziu receios de crise no setor imobiliário do país, ditando ampla recuperação dos mercados globais nesta quarta-feira (22), incluindo o principal índice da B3, que estendeu ganhos da véspera.

Isso fez o foco dos agentes voltar-se para importantes anúncios de política monetária nesta sessão por parte do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e do Banco Central brasileiro.

No fechamento do pregão, o Ibovespa avançou 1,84%, aos 112.282,28 pontos.

No encerramento da sessão, o dólar spot subiu 0,34%, a R$ 5,3033 na venda, depois de tocar R$ 5,2501 na mínima do dia (-0,66%).

Na véspera, a moeda americana caiu 0,81%, a R$ 5,2854 na venda, depois que os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicaram compromisso com a busca por solução para a conta bilionária de precatórios para 2022.

 

Pacheco disse que a PEC para resolver o problema dos precatórios no Orçamento do ano que vem preverá uma limitação do crescimento dessas despesas pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos, enquanto Lira ressaltou intenção de respeitar o teto de gastos e criou a comissão especial que analisará o mérito da PEC dos precatórios.

“A solução para pagamento de precatórios parece estar chegando a um desfecho”, escreveram analistas da XP em nota. “Consiste em uma mistura de várias propostas, mas tem como base a resolução que vinha sendo costurada via Conselho Nacional de Justiça (CNJ).”

Enquanto isso, no exterior, os operadores repercutiram a notícia de que a chinesa Evergrande concordou nesta quarta-feira em acertar o pagamento de juros de um título doméstico, afastando temores de calote iminente. A endividada incorporadora assustou os mercados no início da semana, desencadeando fuga para ativos considerados seguros em meio a temores de contaminação da economia mais ampla.

Rand sul-africano, peso mexicano e dólar australiano, três pares importantes do real, apresentaram leves ganhos no dia.

Nesta quarta-feira, a atenção do mercado ficou concentrada com as reuniões do Fed e do BC doméstico. O banco central norte-americano abriu caminho para reduções em suas compras mensais de títulos “em breve”, enquanto a expectativa do Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro era de elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 6,25% ao ano.

“Dado o diferencial de juros cada vez mais significativo (entre Brasil e economias avançadas), o real deveria ter maior apreciação, mas ruídos políticos domésticos não têm permitido essa valorização”, disse à Reuters Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos.

Ainda assim, ele ressaltou que o BC pode sinalizar uma Selic mais alta do que o esperado anteriormente ao fim de seu ciclo de aperto de juros. Isso, somado às garantias frequentes do Fed de que redução em suas compras de títulos não significa, necessariamente, elevação iminente de juros, pode beneficiar a divisa brasileira adiante, afirmou Morelli.

Mas, para isso, é preciso “acertar o ruído político em Brasília e contornar a volatilidade antes das eleições de 2022”.

 

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