Dolce&Gabbana parte para briga com blogueiros e pede US$ 600 milhões em processo

Acusações de xenofobia com chineses dão a tônica do processo: D&G acusa perfil Diet_Prada de estimular boicote da grife na China em 2018

Loja da D&G em Hong Kong: grife foi acusada de xenofobia e perdeu milhões em vendas na Ásia
Loja da D&G em Hong Kong: grife foi acusada de xenofobia e perdeu milhões em vendas na Ásia Foto: Budrul Churut/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Não é apenas de roupas bem cortadas, desfiles e modelos que o mundo da moda vive. Na verdade, o setor também é conhecido por muitas brigas e que trazem até um certo marketing para a área. Estilistas de grandes grifes, por exemplo, cutucam uns aos outros abertamente. Desta vez, no entanto, os italianos Domenico Dolce e Steffano Gabbana, que criaram a Dolce&Gabbana, foram para cima de blogueiros.

E não se trata apenas de uma briga, mas de um processo milionário. A Dolce&Gabbana quer US$ 600 milhões dos blogueiros Tony Liu e Lindsay Schuyler, que comandam a conta “Diet_Prada” no Instagram. O motivo? Eles acusam os dois influenciadores de terem sido os grandes responsáveis pela crise entre a marca e o mercado chinês em 2018.

O processo é de 2019, mas só nesta semana virou de conhecimento público após a divulgação dos próprios blogueiros. Para entender o motivo, é preciso voltar um pouco no tempo.

Em novembro de 2018, a Dolce&Gabbana se preparava para um grande desfile na cidade de Xangai. Para a divulgação, tiveram a ideia de colocar uma modelo chinesa, vestida com trajes típicos, tentando comer pratos italianos, como pizza e espaguete, utilizando hashis em vez de garfo e faca. Obviamente, a modelo não conseguiu e a cena não ficou das mais agradáveis de se assistir.

Foi o bastante para parte da comunidade chinesa tratar a peça de marketing como xenofóbica e depreciativa com a cultura local. A reação nas redes sociais foi imediata e diversos pedidos de boicote surgiram. Os vídeos foram deletados.

Mas a temperatura subiu ainda mais após a divulgação de uma suposta conversa de Stefano Gabbana e a modelo de descendência chinesa Michaela Tranova. Nos prints, Gabbana é ríspido e não admite que a publicidade foi racista.

“Se os chineses se sentem ofendidos por uma garota que come pizza ou macarrão com hashis, isso significa que os chineses se sentem inferiores e isso não é o problema nosso”, escreveu Gabbana. Ele ainda fez comentários depreciativos sobre o consumo de carne de cachorro e disse que “nós celebramos nossos cachorros”.

Para completar, Gabbana afirmou que a partir daquele momento iria dizer em entrevistas que a China é um “país de merda” e mafioso.  

Com tudo isso acontecendo, o perfil Diet Prada, que costuma ser bem crítico aos problemas do mundo da moda, entrou na história. Ele não apenas divulgou os vídeos da campanha da grife, como também colocou as mensagens trocadas entre Tranova e Gabbana.

Foi o suficiente para a história viralizar. O até então aclamado estilista chegou a negar que aquela conversa era verdadeira, porém a partir daí não havia mais volta. O desfile em Xangai foi cancelado e a D&G passou a ser boicotada na China. A grife perdeu milhões. 

Valor que, agora, a grife italiana tenta recuperar no processo contra o perfil do Diet Prada. Nas contas da D&G, a empresa quer € 450 milhões por causa do impacto da imagem na marca, além de € 4 milhões para custear prejuízos causados pela postagem.

Além disso, também cobra € 90 milhões por vendas perdidas na Ásia e mais de € 17 milhões pelo cancelamento do desfile e custo com pessoal. No total a conta supera os US$ 600 milhões – país dos blogueiros.

Em nota divulgada no perfil do Instagram, o Diet Prada afirmou que o Fashion Law Institute está trabalhando em sua defesa sem cobrar nada. Além do instituto, o escritório de advogacia italiano AMSL Avvocati também está atuando no processo.

“Ter cultivado a Diet Prada como uma plataforma onde podemos denunciar o racismo e manter a indústria da moda em um padrão ético elevado tem sido uma das experiências mais gratificantes até agora. A nossa única esperança é proteger isso”, disseram.

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