Academias fechadas e comida para levar; Doria explica novo normal dos shoppings

Governador de São Paulo conta detalhes de como será a reabertura do comércio na nova fase de quarentena no combate ao coronavírus

Da CNN, em São Paulo

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Em entrevista concedida à CNN, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reforçou que a liberação das atividades comerciais vai acontecer de acordo com os setores e a forma como cada região lida com a pandemia de coronavírus. Em especial, ele detalhou o funcionamento dos shoppings a partir de 1º de junho na capital paulista.

O anúncio do ‘plano de retomada consciente‘ da economia surpreendeu ao liberar o funcionamento dos shoppings na capital. Doria, no entanto, explicou que o setor irá funcionar com restrições e muitos dos serviços que os cidadãos estavam acostumados ainda não poderão retornar.

Questionado se os salões de beleza localizados em um shopping poderiam reabrir, Doria afirmou que no momento isso não seria possível. “Não pode. Assim como a academia de ginástica não pode abrir, assim como a praça de alimentação não pode abrir. Não é fato de estar no shopping que terá liberação plena. A liberação será por setores”, afirma.

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Em relação aos estabelecimentos de alimentação, Doria afirmou que os restaurantes poderão oferecer produtos para retirada no local, mas o consumo dentro do estabelecimento será proibido.

“No take-away, na expressão em inglês, para levar em casa, [poderão funcionar] sim. Não há problema nenhum. Um café, um restaurante, uma pizzaria só não poderão oferecer o consumo no local. O mesmo procedimento será para os shoppings. Se a pessoa quiser levar, desde que a embalagem esteja adequada, ela poderá fazê-lo”, disse.

Sobre um possível aumento de movimentação da região metropolitana para a capital paulista em busca dos shoppings centers, Doria disse que esse fluxo entre as regiões sempre existiu. “Não haverá um aumento necessariamente dessas circunstâncias”, declarou. 

“Nós temos uma nova quarentena a partir de 1º de junho, mas será uma quarentena com uma retomada consciente. Temos uma nova quarentena até 15 de junho”, reforçou o governador.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), deve anunciar mais detalhes sobre os shoppings em coletiva nesta quinta-feira (28).

Preparo dos shoppings

Também em entrevista à CNN, o presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers (ABRASCE), Glauco Humai, afirmou que não esperava a inclusão da cidade de São Paulo nos primeiros protocolos da reabertura. Ele afirmou que o “novo normal” irá mudar hábitos da população em relação aos centros comerciais.

“Estacionamentos terão redução de cerca de 50% no número de vagas, e os serviços de vallet não estarão abertos. Todas as entradas terão tapetes bactericidas e o uso de máscaras é recomendado, e obrigatório para cidades que definiram isso. Além disso, elevadores estarão fechados ou com capacidade reduzidas e haverá marcações no chão para manter a distância necessária para a segurança higiênica dos clientes”.

Escolas

Em se tratando da reabertura das escolas, Doria afirmou que ainda não é hora de retomar as atividades nas salas de aula. Na entrevista para a CNN, o governador disse que haverá uma coletiva da Secretaria de Educação para tratar deste assunto na próxima semana. 

“Isso [a volta às aulas] será feito em etapas e no momento adequado”, afirmou o governador, ressaltando que a abertura da rede de ensino é uma questão que também está sendo analisada em outros países atingidos pela pandemia. 

“Todas as aulas da rede pública estão funcionando de modo virtual. Não houve uma interrupção das aulas, mas uma adaptação”, declarou. 

Retomada consciente

Nesta quarta-feira (27), o governo de São Paulo anunciou a “retomada consciente” das atividades no estado, após uma sequência de renovações da quarentena para conter a disseminação do novo coronavírus. A reabertura gradual, que terá início em 1º de junho, foi anunciada durante a coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

Segundo Doria, a adoção da medida foi capaz de salvar 65 mil vidas. Ainda, o governador não descartou voltar atrás em relação às medidas de afrouxamento. De acordo com o governador, a reabertura vai acontecer primeiro nas cidades que possuem redução de casos de contaminação pela Covid-19, além de terem leitos disponíveis na rede de saúde pública.

Segundo o boletim da Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP) desta quarta-feira (27), há 89.483 casos confirmados de Covid-19 no estado de São Paulo, com 6.712 mortes.

De acordo com o plano de retomada econômica, o estado de São Paulo foi dividido em 20 regiões, que foram classificadas por cores: azul, verde, amarelo, laranja e vermelha; cada uma representando uma fase de flexibilização. Para que uma região possa evoluir de estágio – permitindo a abertura de novos setores – será necessário atender uma série de critérios técnicos, a exemplo da ampliação de testagens e fundamentação cientifíca com dados sobre o cenário município na pandemia. 

Apesar da região metropolitana estar na fase 1 (vermelha), ou seja, onde não há previsão do relaxamento das medidas restritivas, a capital paulista encontra-se na fase 2, representada pela cor laranja, onde é possível reabrir alguns setores.

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