São necessárias reformas para Brasil entrar na OCDE, diz economista da XP

Em entrevista à CNN, o economista Caio Megale falou sobre as ações necessárias para o reequilíbrio econômico do país

Juliana Alvesda CNN

Em São Paulo

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Durante viagem à Itália para a reunião da cúpula do G20, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou querer colocar o Brasil na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, porém, o Brasil — que cumpre 100 dos 252 instrumentos exigidos para ingresso na organização — está distante de entrar na OCDE.

“É uma longa lista. O Brasil tem há algum tempo almejado chegar nesse patamar, mas muito mais importante que estar no clube é entrar no clube. Para isso, é preciso avançar e sair do vermelho. Estamos há sete anos rodando com mais despesas do que receitas, e o que a gente tem visto são só esforços para aumentar despesas e não reduzir. Nesse sentido as últimas informações nos levam para mais distante da OCDE”, disse.

Megale afirmou que a inflação é o principal impeditivo do equilíbrio econômico. “Com inflação alta todo o resto vai se perdendo. A inflação concentra renda e corrói o poder de compra, especialmente dos mais pobres, isso piora a questão social e a questão econômica também. Combater a inflação virou prioridade”, disse.

O economista afirmou também que a indefinição quanto à PEC dos Precatórios — que, segundo o governo federal, financiará o novo Auxílio Brasil — cria instabilidade no mercado.

“Precisamos de uma definição. O mercado, a economia e a sociedade precisam saber como vai ser a estrutura de gastos do governo no ano que vem. Essa questão dos precatórios está rodando desde julho, é preciso avançar numa definição para virar a página e poder respirar um pouco”, disse.

À jornalistas na Itália, Bolsonaro chamou o mercado de “nervosinho”. Para Megale, “o mercado reage às informações que estão disponíveis. O Brasil é um dos países mais endividados do mundo emergente, o mínimo que podemos fazer é sinalizar que vamos equacionar isso ao longo do tempo”.

“Os juros subiram muito e isso significa que antes de se reequilibrar lá na frente, a economia vai ter que desacelerar bem para trazer a inflação para baixo e reequilibrar o choque de custos”, disse o economista.

(Publicado por Daniel Fernandes)

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