Economia da China cresce 7,9% no segundo trimestre de 2021

Taxa ficou bem abaixo dos 18,3% que o país registrou no primeiro trimestre

Bandeira da China
Bandeira da China Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Ana Carolina Nunes, do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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A economia da China segue em trajetória de alta, mas, como previsto, a taxa desacelerou no segundo trimestre, enquanto o país lutava com a alta nos preços das commodities e interrupções na cadeia de abastecimento que afetaram a produção.

O PIB chinês aumentou 7,9% no segundo trimestre (de abril a junho) em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou o Escritório Nacional de Estatísticas da China na quarta-feira (14) aqui no Brasil, quinta-feira (15) no país asiático.

A taxa é bem menor que o aumento de 18,3% que a China registrou no primeiro trimestre – embora esse número recorde refletisse em grande parte o quanto a economia desabou no início de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus estava tomando conta.

A taxa de crescimento do segundo trimestre foi um pouco mais fraca do que o esperado. Analistas ouvidos pela Reuters previram que a economia da China se expandiria 8,1%.

A economia chinesa deu alguns sinais preocupantes nos últimos meses. Os preços recordes das commodities levaram a inflação às fábricas aos níveis mais altos em mais de uma década, enquanto as interrupções na cadeia de suprimentos causadas por atrasos no transporte e uma escassez de energia impediram a produção industrial.

O crescimento no setor de serviços também desacelerou recentemente, já que um surto de Covid-19 no sul da China e as medidas de contenção subsequentes restringiram a atividade comercial e de consumo.

O país chegou a anunciar, antes mesmo do relatório sobre o primeiro trimestre, que definiu uma meta modesta para o crescimento econômico anual, de mais de 6%, e prometeu criar mais empregos em cidades do que no ano passado, conforme planeja uma trajetória cautelosa para sair de um ano prejudicado pela Covid-19.

Em 2020, a China descartou a meta de crescimento do Produto Interno Bruto pela primeira vez desde 2002 depois que a pandemia devastou sua economia. O PIB da China cresceu apenas 2,3% no ano passado, ritmo mais fraco em 44 anos mas que fez do país a única grande economia a ter expansão.

Mesmo com a recuperação da segunda maior economia do mundo perdendo força, a China ainda está em vias de ultrapassar sua meta de crescimento anual de mais de 6% neste ano. Os dados de quarta-feira mostraram que as vendas no varejo aumentaram 12% em junho em relação ao ano anterior, enquanto a produção industrial aumentou 8,3%.

As preocupações com o crescimento mais fraco aumentaram na semana passada, depois que o Banco Popular da China reduziu a quantidade de dinheiro que as instituições financeiras devem manter em reserva.

A mudança para reduzir o índice de depósito compulsório em 50 pontos base surpreendeu os observadores, que consideraram um sinal de que a recuperação econômica pode estar vacilando.

O primeiro corte nesse índice desde abril de 2020 teve como objetivo encorajar os bancos a emprestar mais, já que as pequenas empresas estão enfrentando dificuldades por causa da alta nos preços das commodities, disse o banco central.

Mesmo assim, a China revelou algumas boas notícias sobre o comércio no início desta semana. As exportações aumentaram mais de 30% em junho na comparação com o mesmo período de 2019, segundo dados alfandegários.

Os fortes dados de exportação ajudaram a aliviar as preocupações do mercado sobre “uma desaceleração iminente do crescimento”, de acordo com Ting Lu, economista-chefe da Nomura para a China.

Mas Lu disse que a recuperação pode ser “curta”, já que foi parcialmente impulsionada pela liberação da demanda reprimida para limpar os pedidos em atraso em alguns dos principais portos do sul da China. Antes, Lu havia previsto que o PIB da China cresceria 8,1% no segundo trimestre, antes de desacelerar para 6,4% e 5,3%, respectivamente, nos dois trimestres seguintes. 

um estudo do banco J.P. Morgan divulgado em abril apontou que o produto interno bruto per capita da China deve dobrar na próxima década. O que significa que quase meio bilhão de chineses deve ascender à classe média e possivelmente aumentar seus gastos com automóveis, telefones celulares, serviços financeiros, educação e saúde.

*Com informações de Laura He, do CNN Business 

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