Economista e empresário falam sobre relação entre apps e entregadores

Brasil tem mais de 500 mil entregadores de aplicativos

Da CNN, em São Paulo

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Entregadores de aplicativos de delivery fizeram uma paralisação, na última quarta-feira (1), além de manifestações em várias cidades do país. Eles reivindicam melhores condições de trabalho e uma ajuda das próprias empresas para a compra de equipamentos de proteção individual contra a Covid-19. Os prestadores do serviço também refutam a diminuição das taxas mínimas pagas para cada corrida. Segundo os entregadores, enquanto o aumento da demanda por conta da quarentena aumentou, a comissão foi reduzida.

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O especialista em Economia do Trabalho Hélio Zylberstajn e o vice-presidente de estratégias e finanças da Ifood, Diego Barreto, discutiram as relações de trabalho entre as empresas donas dos aplicativos de delivery e seus entregadores cadastrados.

Hélio afirma que a emergência do delivery é a ponta de um iceberg de uma enorme transformação que vem ocorrendo no mercado de trabalho e que foi intensificada pela pandemia do novo coronavírus. “O que a gente tinha como instrumentos de proteção para os trabalhadores e os instrumentos de políticas públicas para o mercado de trabalho não servem mais para esse novo mercado. A regulamentação existe há mais de 150 anos e é toda baseada no conceito de vínculo de emprego”, explica.

Para o especialista, cada vez mais as organizações serão menos verticais e mais horizontais. “Mudou a utilização do trabalho. O trabalho continua sendo necessário, mas não no formato de emprego, de vínculo, de relação permanente. Essa é a grande transformação”. 

Diego Barreto, da Ifood, falou sobre a contextualização ao seu tempo das relações humanas, seja em nível pessoal ou empresarial. “O brasileiro, empresário, executivo, o cidadão e os participantes destas plataformas que reorganizam a economia estão exatamente nesse processo de compreender como a sociedade vai se utilizar dessa nova formatação da economia para o seu benefício. O que todo mundo busca é que haja uma relação de valor muito mais forte, para que esse valor possa ser redistribuído na sociedade, para o país, como um todo, crescer”. Ele diz acreditar que as manifestações dos entregadores fazem crescer um diálogo que fará aumentar os padrões de zelo, de cidadania e de seguridade. 

Possíveis soluções

Hélio Zylberstajn defende que não seja dado um passo para trás, embora ele concorde com as críticas da sociedade em geral de que é preciso melhorar as condições de trabalho. “As pessoas tendem a usar a palavra ‘precária’ com a ideia de restaurar a regulamentação da CLT para essa nova relação de trabalho”, diz, reafirmando que não há como voltar aos instrumentos do passado.

“A saída, e aí o estado pode ajudar com isso, é criar as condições para que haja diálogo, para que haja negociação. A melhor saída é os dois atores conversarem e definirem, juntos, o que é melhor para eles”, sugere, portanto, a abertura de um canal de negociação. 

Diego Barreto observa que a discussão não deve ser sobre a regulamentação do negócio, mas de uma normativa que possa amparar e servir a todos os brasileiros. “Eu não vejo a justiça definindo isso. Nos casos que nos envolve, ela tem definido constantemente que não existe a relação por vínculo empregatício, mas uma relação de prestação de serviço, uma relação de negócios”.

Barreto também acredita que seja preciso garantir um acesso à proteção e à saúde, mas descarta os planos de saúde como opção. “No nosso caso a gente dá acesso à uma rede privada de forma diferenciada. E a gente também traz um seguro de vida em todas as rotas, incluindo a volta para casa”. 

 

 

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