Economista vê desafio para financiar renda mínima e defende maior formalização

Bernard Appy propõe 'redução drástica' sobre contribuição para a Previdência cobrada sobre o primeiro salário mínimo de trabalhadores

Da CNN

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O economista Bernard Appy, diretor do think thank Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), afirmou, em entrevista exclusiva à CNN, ver dificuldade para o governo financiar um amplo programa de renda mínima e defende incentivos à formalização de trabalhadores.

“A grande questão é como fazer isso de forma que seja financiável. E mais: o ideal seria não só expandir renda mínima, o ideal seria fazer com que todos os trabalhadores brasileiros se tornassem formais e com acesso não só a benefícios como a renda mínima, mas também benefícios previdenciários”, disse Appy.

O assunto foi tratado em reunião ministerial desta terça-feira (9). O ministro da Economia, Paulo Guedes, falou que a “aterrisagem” do país após a crise da pandemia do novo coronavírus terá como vetor a criação de um programa chamado de Renda Brasil, unificação do Bolsa Família com outros programas sociais.

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Guedes não deu detalhes de como funcionaria o programa, mas para Appy, é improvável que se adote um modelo como da renda mínima universal, que abrange toda a população. “E portanto, acho que tem que ter um sistema que, conforme a renda suba, você faça um fase out [patamar em que as pessoas deixariam de ter direito ao benefício] dessa renda mínima e com isso você reduz o custo”, argumenta.

Em relação à formalização de trabalhadores, Bernard Appy defendeu à CNN a proposta do Centro de Cidadania Fiscal de que seja reduzida “de forma drástica” as contribuições previdenciárias sobre o primeiro salário mínimo. Para Appy, esse patamar, que hoje passa de 40% quando se leva em conta também o FGTS, deveria ser de, no máximo, 10%.

(Edição: André Rigue)

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