Eleição na Comissão do Orçamento será teste para presidências da Câmara e Senado

Grupo defensor da reeleição de Maia e Alcolumbre quer o nome de Elmar Nascimento (DEM-BA); já parlamentares do Centrão indicam a deputada Flávia Arruda (PL-DF)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados

Leandro Magalhães e Bárbara Baião, da CNN de Brasília

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O impasse para reinstalar a Comissão Mista do Orçamento (CMO) no Congresso preanuncia a tão disputada eleição para a vaga de presidente da Câmara e do Senado em fevereiro de 2021, relatam fontes à CNN.

O grupo defensor da reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, ambos do Democratas, defende o nome de Elmar Nascimento (DEM-BA). Já parlamentares do Centrão, que formam a base do Executivo na Casa, querem a deputada Flávia Arruda (PL-DF) no comando da comissão que analisa a peça orçamentária do governo para o ano que vem, além de moldar o programa Renda Cidadã, programa social turbinado, considerado a menina dos olhos de ouro do governo Jair Bolsonaro.

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“Perder a presidência da CMO será um sinal de fraqueza na disputa de voto para o comando das duas casas em fevereiro, além de deixar o caminho livre para o Planalto”, pontuou uma fonte ligada ao grupo de Maia e Alcolumbre.

Parlamentares a favor de Flávia Arruda argumentam que a escolha do presidente da comissão cabe ao líder do maior bloco da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL). O acerto, segundo eles, feito pelo nome de Nascimento para o comando da comissão, antes do desembarque do DEM e MDB do bloco, perdeu o efeito por causa do princípio da proporcionalidade na composição do colegiado, que tradicionalmente elege o presidente por aclamação da maioria das siglas.

Diante do impasse, Davi Alcolumbre cancelou a instalação da comissão pela segunda semana consecutiva e autorizou recesso branco no Senado por duas semanas no mês de outubro. Opositores a Elmar Nascimento afirmam que adiar a instalação é uma forma de ganhar tempo para convencer mais parlamentares a apoiar o candidato do DEM e reclamam que o grupo de Maia resiste a cumprir acordo quando a regra desfavorece a ala do presidente da Câmara.

A disputa já impactou na votação de matérias no plenário da casa, na terça-feira (6.) A insatisfação fez com que a sessão fosse cancelada.

Agora, parlamentares a favor do governo tentam reverter a situação na CMO. Uma das estratégias na manga é atrair siglas da oposição, já que o nome de Arruda é também um aceno à bancada feminina do Congresso. Se não houver consenso, a instalação de uma das mais importantes comissões do Congresso só ocorrerá depois das eleições de novembro.

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