Em ata, Fed diz que mudanças em compras de títulos dependerão da economia

Descrição pode oferecer aos formuladores de política monetária ampla latitude para começar a contemplar as mudanças no programa de títulos nos próximos meses

Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019)
Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019) Foto: Leah Mills/Reuters

Howard Schneider, da Reuters

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O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) foi quase unânime em sua decisão no mês passado de deixar inalterado seu programa de compra de títulos, mas deixou um amplo espaço para que no futuro as autoridades decidam se e quando mudanças no programa devem ser feitas, de acordo com ata da reunião dos dias 15 a 16 de dezembro, divulgada nesta quarta-feira.

“Todos os participantes” na sessão concordaram que o Fed deveria se comprometer a deixar o programa em vigor até que houvesse “progresso adicional substancial” em direção às metas do Fed para a economia.

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“Quase todos” preferiram manter intacto o atual mix de ativos comprados, em vez de focar, por exemplo, em títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) de longo prazo, como alguns analistas têm defendido, segundo a ata.

No entanto, em termos de como avaliar quando um “progresso substancial adicional” for alcançado, “os participantes disseram que esse julgamento seria amplo, qualitativo e não baseado em critérios numéricos específicos ou limites”.

Essa descrição pode oferecer aos formuladores de política monetária ampla latitude para começar a contemplar as mudanças no programa de títulos nos próximos meses se, por exemplo, a distribuição de uma vacina contra o coronavírus levar a uma recuperação mais rápida do que o esperado.

A única exigência que os formuladores de política monetária concordaram foi na necessidade de sinalizar onde se encontram nesse debate “bem antes do tempo” que a recuperação pode realmente justificar uma mudança nas compras mensais no montante de 120 bilhões de dólares.

A decisão do Federal Reserve nas reuniões dos dias 15 e 16 de dezembro em manter suas aquisições mensais de títulos inalteradas desanimou analistas e investidores, que pensaram que o banco central deveria ter expandido o programa para apoiar, de uma forma melhor, a economia durante a pandemia do coronavírus.

A ata divulgada forneceu mais detalhes sobre o que motivou essa decisão e também abriu a discussão sobre o que seria necessário para que os banqueiros centrais mudassem a política monetária exercida nos próximos meses.

Nos últimos dias, as autoridades do Fed já começaram a esboçar a próxima fase das suas discussões – um debate que provavelmente irá depender do sucesso do país em aplicar vacinas contra o coronavírus em seus 330 milhões de habitantes.

“Quanto mais rápido tivermos isso sob controle, mais robusta será a recuperação”, afirmou o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, em uma entrevista à Reuters nesta semana. “Só temos que atravessar este momento, continuar a seguir as recomendações de saúde pública e tentar minimizar a propagação”, enquanto a vacina é distribuída.

Bostic disse acreditar ser possível que, no fim da primavera ou do verão (hemisfério norte), as empresas que tiveram as atividades interrompidas e as pessoas que foram mantidas em casa em razão da pandemia possam retomar “tipos mais normais de interação… a metade do ano será bastante forte”.

Isso, por sua vez, poderia permitir que o Fed começasse a discutir como e quando retirar as compras mensais de títulos no valor de 120 bilhões de dólares que vem fazendo desde a primavera passada para manter os mercados acionários funcionando e manter as taxas de juros de longo prazo em suas mínimas históricas.

Em dezembro, o Fed afirmou que manteria essas compras “até que um progresso substancial fosse feito” no sentido de a economia retornar ao pleno emprego e elevar a inflação para a meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária. Bostic afirmou sentir que a condição pode ser satisfeita “em pouco tempo” neste ano se a vacinação for bem-sucedida.

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