Em busca de competitividade, empresas apostam em selo ESG

“Environmental, Social and Governance", na sigla em inglês, designa uma série de práticas que contribuem para a longevidade de um negócio e atrai investidores

Juliana Colombo e Renan Fiuza,

da CNN, em São Paulo

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O ambiente cada vez mais competitivo e globalizado no mundo dos negócios tem levado as empresas a investirem em ESG, sigla para “Environmental, Social and Governance”, em inglês, ou ASG em português. 

A sigla é usada para designar um conjunto de princípios e processos que contribuem para a longevidade de um negócio. O conceito se baseia em três eixos: meio ambiente, social e governança. 

Para uma empresa, adotar o ESG equivale a um selo de qualidade que oferece mais transparência aos investidores. 

“Gestores do mundo inteiro adeririam e hoje a gente está falando de quase 90 trilhões de dólares de empresas, gestores e fundos que seguem esse código de alguma forma, e tudo em volta do ESG”, diz Piero Minardi, presidente da ABVCAP.

No Brasil, a maioria das empresas não está em patamar tão avançado.

“Tem lugares no mundo, como Europa, Nova Zelândia, Austrália, que você consegue medir que mais de 50% da empresa já são aderentes as boas práticas nos três conceitos. A gente [Brasil] não está lá ainda, estamos numa faixa de 10 a 15%, mas estamos caminhando para lá”, completa Minardi.

Muitos comparam a adoção do ESG a uma escada, em que as companhias vão subindo degraus rumo à mais alta certificação conforme adotam as práticas requeridas.

“Acho que essa é uma abordagem bastante utilizada. Tem o valor de você tentar parametrizar as notas, o desempenho da empresa em diferentes critérios e aí você chega numa nota final. E na nossa visão, as empresas que tiverem uma nota melhor vão estar mais preparadas para o futuro. De ter um melhor empenho operacional, negociar múltiplos mais elevados”, diz Eduardo Dumans, sócio da Constellation Asset Management.

A avaliação para uma empresa ter esse desejado selo é parte de um conjunto de critérios que precisam ser analisados com calma, em um processo que pode demorar anos.

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“De forma resumida, tem a parte qualitativa, que é estudar os documentos da empresa, conversar com a empresa. Depois é tentar fazer algum tipo de estimativa quantitativa que vai afetar, influenciar o retorno esperado do seu investimento. Isso pode ocorrer de várias formas e, no nosso caso, esse é um critério eliminatório se a empresa não for bem nessa dimensão ‘ESG’, a gente não se aprofunda no resto. A gente simplesmente não investe. Então é bastante importante pra gente esse filtro”, completa Dumans.

As micro e pequenas empresas, que ainda não têm porte para entrar nessa avaliação, se quiserem crescer no cenário atual, também precisam se preparar em relação às preocupações sociais e ambientais. Afinal, esse tipo planejamento vai proporcionar à empresa resultados sustentáveis para a continuidade do negócio. 

Já em corporações de médio e grande porte, ter o ESG é uma credencial importante para prosperar.

“Na nossa forma de pensar que é sempre a longo prazo, as empresas que tiverem na sua estratégia elas têm mais chances de serem bem sucedidas”, diz Dumans.

Meio ambiente e sustentabilidade
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Foto: Shutterstock

 

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