Em ofensiva pelo 5G no Brasil, EUA chamam diplomacia chinesa de predatória

Apesar de ter ressaltado que os EUA não impedirão um eventual acordo com a chinesa, Washington demonstra interesse na disputa

Governo ainda não se decidiu sobre futuro do 5G
Governo ainda não se decidiu sobre futuro do 5G Foto: Fabian Bimmer - 31.mar.2019/ REUTERS

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Em mais uma passo contra a China na corrida pela tecnologia 5G, os Estados Unidos se colocaram à disposição para parcerias sobre o assunto com empresas brasileiras.

O movimento americano acontece em meio a dois dias de acordos que foram selados no Brasil por uma comitiva liderada pelo conselheiro de segurança nacional dos EUA, Robert O’Brien.

Na manhã desta terça-feira (20), membros da delegação se reuniram com jornalistas para detalhar os interesses comerciais dos norte-americanos no Brasil.

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O diplomata Joshua Hodges, que integra o Conselho de Segurança Nacional americano, criticou a China ao dizer que o país não é um problema dos Estados Unidos ou do presidente Donald Trump, mas sim global. “A diplomacia predatória deles é um problema diplomático que é amplamente reconhecido no mundo”,

Hodges explicou que há uma preocupação dos Estados Unidos sobre a maneira com que a China e a empresa Huawei utilizam dados e tecnologia em “benefício do Estado e não para quem está usando o produto”. 

De acordo com o diretor, existe uma lei norte-americana que diz que tecnologia utilizada pela empresa chinesa é perigosa para a segurança nacional. Por essa razão, alguns departamentos de Estado não podem se envolver em negócios com empresas que usam tecnologia da China. 

 Apesar de ter ressaltado que os EUA não impedirão um eventual acordo com os chineses, o diretor demonstrou interesse no páreo, ao sugerir uma parceria de benefício mutuo que “não pretende debilitar a soberania brasileira”.

“Existe uma ideia equivocada de que não existe uma alternativa por aí. E o caso é que existe competição por aí, está disponível, os Estados Unidos estão prontos para financiar isso”, disse Hodges.

Além de consórcios entre empresas de ambos os países, o governo de Donald Trump demonstrou apoio a pelo menos dez diferentes áreas no  Brasil, como telecomunicações, energia e infraestrutura.

O vice-representante de comércio dos Estados Unidos, Michael Nemelka, disse que os acordos bilaterais entre Brasil e Estados Unidos estão na casa de US$ 1 bilhão e devem aumentar ainda mais. 

A diretora da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC), Sabrina T. Teichman, contou que a instituição tem 60 bilhões de dólares para investir globalmente, sendo que 1 bilhão está inserido em oito projetos no Brasil. “Nessa semana, parte da nossa visita foi para anunciar mais quase 1 bilhão de dólares em quatro projetos. Queremos crescer”, explicou a diretora. 

A executiva contou que no primeiro dia de visitas, assinou uma carta de interesse em nome do banco para um investimento de US$ 259 milhões em um consórcio de seis companhias — algumas brasileiras e outras americanas. O objetivo é modernizar a infraestrutura no Rio de Janeiro usando tecnologia dos Estados Unidos. 

Outra praia carioca que está chamando a atenção dos americanos é usina nuclear de Angra-1. Em janeiro de 2020, o banco de fomento à exportação e importação americana (Exim Bank), emitiu uma carta de interesse à fornecedora do sistema da usina, Westinghouse Electric, no valor de US$ 345 milhões.

Teichman explicou que a política externa norte-americana segue a orientação de apoiar o livre mercado e o setor privado. 

“Segurança econômica é segurança nacional”, disse a presidente do banco, Kimberley Reed, que assinou mais cedo um memorando de entendimento ao lado do ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, no valor de US$ 1 bilhão.

A fome dos americanos pelo mercado brasileiro é reflexo de uma medida autorizada pelo Congresso americano, que de acordo com Reed, deu autonomia para o banco cobrir ofertas chinesas, para que “o mundo compre produtos americanos a um preço competitivo.”

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