Em revisão “conservadora”, Bradesco eleva expectativa para alta do PIB a 4,8%

Não fosse risco hidrológico, expectativa para crescimento da economia seria de 5%, segundo a instituição

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Thais Herédiada CNN

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A palavra “resiliência” está se repetindo nas análises das principais casas financeiras que atuam no país. Desde a divulgação da alta de 1,2% do PIB no primeiro trimestre, na manhã desta terça-feira, iniciou-se uma sequência de revisões para o resultado do ano. Para o Bradesco, a estimativa subiu para 4,8%, dos 3,3% previstos anteriormente.

Uma revisão “conservadora” segundo análise divulgada pelo banco, provocada pelo novo elemento de riscos hidrológico e energético no país. “Não fosse pelas incertezas quanto ao quadro hidrológico e à própria pandemia, que ainda não estabilizou, a projeção poderia superar 5%. Uma implicação importante dessa elevação no crescimento é a redução da projeção para a dívida pública, o que tem permitido a queda dos prêmios de risco, em particular do câmbio”, diz o documento preparado pelos economistas do Bradesco.

 

As motivações para mexer nas previsões para o PIB também são compartilhadas entre as instituições. Os economistas do Bradesco ressaltam o aumento do crédito, a geração de empregos formais e novo ciclo global de commodities, que promoveu recordes nas exportações brasileiras.]

Na análise divulgada ao mercado, o banco também pontua o aprendizado das famílias e das empresas neste segundo ano de pandemia. Com PIB maior, a dinâmica da dívida pública também está sendo revista. A relação dívida/PIB, indicador importante sobre a solvência do país, tende a melhorar e se distanciar da ameaça de chegar a 100% do PIB.

A retomada mais forte deve reduzir o déficit das contas públicas para R$ 198,3 bilhões em 2021, o que corresponderá a 84,6%. Há dúvida ainda sobre como vai se comportar o câmbio. A moeda brasileira já não está mais no topo das mais desvalorizadas contra o dólar, mas segue distante do que os economistas consideram mais compatível com a economia do país.

“Fundamentos apontam para uma cotação abaixo de US$ 5,00, mas as incertezas fiscais, quanto aos riscos hidrológicos e aos juros nos EUA podem levar o real de volta para patamar superior a US$ 5,60. A falta de visibilidade de qual cenário deverá prevalecer nos fez posicionar a projeção em US$ 5,10”, diz a análise.

Com atividade econômica ganhando velocidade, somado à pressão já sentida nos preços das commodities e do dólar, o Departamento Econômico do Bradesco também elevou a estimativa para o resultado da inflação oficial para alta de 5,5%, ante 5,3%. O que deve levar o Comitê de Política Monetária a subir a taxa básica de juros até 5,75% este ano.

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