Embaixadores: Acordo Brasil-EUA é ‘histórico’ e estrutura relação comercial

Investimentos vão estar direcionados às áreas de energia, nuclear, gás e óleo, logística, mineração e telecomunicações

Todd Champann, embaixador dos EUA no Brasil, e o diplomata Nestor Forster
Todd Champann, embaixador dos EUA no Brasil, e o diplomata Nestor Forster Foto: CNN (20.out.2020)

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

Em entrevista exclusiva à CNN após solenidades nesta terça-feira (20), os embaixadores do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, e dos EUA no Brasil, Todd Chapman, exaltaram os acordos assinados pelos dois países nesta semana.

Forster definiu os acertos, em especial um acordo para o investimento de US$ 1 bilhão por parte dos Estados Unidos no país, como “históricos”, e ressaltou que avançaram rapidamente por vontade política dos dois governos.

Os investimentos vão estar direcionados às áreas de energia, nuclear, gás e óleo, logística, mineração e telecomunicações.

Para o embaixador brasileiro, mesmo não tratando de mercadorias específicas, acordos nas áreas de desburocratização e compliance ajudam a estruturar uma relação comercial mais ampla. 

“Não tem o glamour dos acordos tarifários de acesso a mercados diretamente, mas eles têm um efeito de dar a moldura para o comércio entre os dois países. Reduzindo custos, eliminando burocracias e dando previsibilidade e transparência, que é o que o investidor quer”, disse Nestor Forster à CNN.

Assista e leia também:

Após acordo, Brasil e EUA falam em preocupação com segurança e privacidade no 5G
Brasil e EUA assinam acordo de US$ 1 bilhão
Brasil e EUA assinam acordo para facilitar comércio e desburocratizar regulação
EUA mudam regras para voos do exterior e flexibilizam triagem de brasileiros

O embaixador do Brasil também disse enxergar um acordo de livre comércio entre os dois países no futuro como “um caminho natural”. 

Segundo Todd Chapman, os EUA têm o mesmo objetivo do Brasil, de ter um avanço “agressivo” na integração econômica dos dois países. “Este é um resultado da visão dos nossos presidentes depois da sua reunião em Mar-al-lago, em março. Eles estabeleceram um objetivo bastante agressivo de avançar na área econômica”, afirmou.

Questionado pela colunista Thaís Herédia sobre a imposição de tarifas a produtos brasileiros, a despeito desses acordos, Chapman defendeu a posição americana, afirmando que o alinhamento não pode impedir a negociação em separado de produtos específicos.

“Nossa relação comercial é bastante ampla e bastante complexa. Não temos uma relação baseada somente em matérias-primas e três ou quatro produtos. Quando você está comercializando milhares de produtos diferentes, você vai ter que tratar às vezes sobre produtos individuais”, completa.

A entrevista com os embaixadores foi conduzida também pelos âncoras Carol Nogueira e Daniel Adjuto e pelo colunista Lourival Sant’Anna.

Forster reforçou a posição do colega, confrontado também com as críticas de produtores brasileiros a negociações no campo do etanol. “Não podemos olhar para uma árvore e esquecer da floresta”, argumentou o embaixador. 

Todd Chapman afirma que os novos acordos permitem que os países voltem à mesa para tratar dos temas comerciais sensíveis.

“O que é importante enfatizar é que essa relação madura, que acabou de ter realmente um grande passo para frente com a firma dos acordos que firmamos essa semana, nós temos muitas oportunidades de negociar, de conversar, de entender”, argumentou.

Biden

O embaixador do Brasil Nestor Forster foi questionado sobre a possibilidade de o candidato democrata a presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vencer as eleições do próximo dia 3 de novembro.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já afirmou ser favorável à reeleição do atual presidente, Donald Trump.

Segundo Forster, é provável que a questão ambiental seja trazida à mesa caso os democratas sejam eleitos, mas que ele acredita que essa não será um óbice a uma boa relação comercial entre os países. “Prevalecerá o bom senso de que um acordo é bom para os dois países”, opina.

Mais Recentes da CNN