Empresa dos EUA usa drones para replantar florestas arrasadas por incêndios

A DronSeed lança o que chama de “vasos de sementes” em áreas com melhores chances de fazer prosperar as novas árvores

Os drones de 2,5 metros são capazes de carregar até 25 kg de sementes
Os drones de 2,5 metros são capazes de carregar até 25 kg de sementes Foto: DroneSeed/Divulgação

Rishi Iyengar, do CNN Business, em São Francisco

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Em 2020, os Estados Unidos tiveram a temporada de incêndios florestais mais devastadora já registrada, com mais de três milhões de hectares de terra queimada em todo o país.

Regenerar as florestas que ocupavam a área arrasada normalmente levaria anos e envolveria centenas de pessoas no replantio manual de mudas, cultivadas em viveiros dedicados para esse fim.

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A DroneSeed, com sede em Seattle, tem o que diz ser uma solução muito mais rápida e eficaz. Como o nome da empresa sugere, ela usa frotas de drones (também conhecidas como enxames de drones) para reflorestar áreas que foram queimadas, lançando o que chama de “vasos de sementes” em áreas com melhores chances de fazer prosperar as novas árvores.

Em enxames de até cinco de cada vez, os drones de 2,5 metros voam juntos em rotas pré-programadas, podem cobrir até 20 hectares por dia. Cada um carrega até 25 quilos de vasos de sementes, como explicou o CEO da DroneSeed, Grant Canary, à CNN Business.

“Somos seis vezes mais rápidos do que um plantador de árvores com uma pá, que faz pouco menos de um hectare por dia”, disse Canary. “E cortamos as cadeias de abastecimento [para colocar novas sementes no solo] de três anos para três meses.”

A DroneSeed recebeu isenções da Federal Aviation Administration (FAA) no início deste ano, e elas permitem o uso de enxames de drones para replantar florestas queimadas. A empresa já está restaurando as florestas afetadas por um grande incêndio em agosto na Califórnia e outro no Oregon, e estuda outras áreas atingidas pelo fogo na costa oeste onde sua tecnologia poderia ser usada.

O replantio de florestas a partir do ar não é uma abordagem nova, já que aviões ou helicópteros têm sido usados com frequência para dispersar sementes. Os especialistas dizem que o método é mais barato e fácil do que o plantio manual tradicional, mas pode não ser tão eficaz.

“Jogar sementes de árvores florestais de aviões pode ser bem-sucedido e é muito mais barato do que o plantio manual”, disse Ralph Schmidt, professor do Earth Institute da Universidade Columbia. “Cultivar mudas em viveiros e plantá-las manualmente sempre terá uma taxa de sucesso muito maior do que a semeadura aérea, mas é muito mais caro”.

Para Schmidt, selecionar a espécie certa de semente e o lugar certo para largá-la é a chave.

A DroneSeed está tentando encontrar um meio-termo com seus recipientes de sementes personalizadas. Os pacotes especialmente projetados consistem em uma combinação de fertilizantes, nutrientes e agentes de prevenção de pragas que ajudam as sementes a criar raízes com mais eficiência, sem ter de ser fisicamente enterradas no solo.

“O vaso é uma fibra seca, por isso absorve umidade. Conforme vai ficando mais úmido, ele se expande”, disse Canary. “Isso ajuda a evitar o ressecamento, que é uma das maiores causas da mortalidade das sementes”.

Ele também é à prova de esquilos.

“Queremos que as sementes não sejam comidas, então uma pimenta super picante é um dos ingredientes do vaso”, acrescentou. “Os esquilos entendem a mensagem e se recusam a comer as sementes”.

Os drones não são a única tecnologia que a empresa usa para tornar o replantio mais eficaz. Ela também implanta o Lidar, a tecnologia de detecção usada por carros autônomos para mapear o mundo ao seu redor, para criar um modelo 3D do terreno. Isso é acoplado a sensores que medem diferentes comprimentos de onda de luz para dizer a diferença entre áreas de cascalho e locais onde solo saudável pode ser mais adequado para o crescimento de árvores.

Drone
Os enxames de drones voam em rotas pré-programadas identificadas usando tecnologia de detecção 3D.
Foto: DroneSeed/Divulgação

Segundo a DroneSeed, quase 100 árvores por hectare podem ser plantadas, com base em testes na Nova Zelândia e no estado de Washington.

“Agora, com esta temporada de incêndios, temos uma demanda sem igual”, contou Canary.

Com as mudanças climáticas aumentando o problema a cada ano, ele espera que a tecnologia da DroneSeed ajude a reabastecer as florestas de forma mais eficaz, mas afirma que não se trata de uma solução definitiva.

“Não estou dizendo que devemos nos livrar dos viveiros. Devemos manter todos os viveiros que temos porque precisamos de todas as árvores que pudermos conseguir”, acrescentou. “Mas precisamos fazer isso mais rápido”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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