Energia elétrica aumentou mais do que o dobro da inflação nos últimos anos

Dados da Abraceel mostram que a energia elétrica acumulou alta de 114% em sete anos, enquanto a inflação foi de 48%

Iuri Corsinida CNN

no Rio de Janeiro

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A tarifa residencial da conta de luz tem subido mais do que a inflação no país. Desde 2015 a diferença desse aumento tem sido mais do que o dobro. Em 2021 a conta de energia acumulou alta de 114%, diante dos 48% da inflação no mesmo período.

Os dados são da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Segundo a entidade, a energia elétrica residencial teve um aumento médio anual de 16,3% entre 2015 e 2021. Já o Índice de preços no consumidor (IPCA) teve uma variação de 6,7% ao ano. Isso representa crescimento de 237% acima da inflação no período observado.

A energia elétrica representou 10,65% da variação do IPCA. No ano passado, o índice variou 10,06%. Já a energia elétrica teve oscilação de 21,21%. O impacto no IPCA de 2021 foi de 0,98 ponto percentual.

O vice-presidente de energia da Abraceel, Alexandre Lopes, acredita que o formato de regulação do mercado impacta diretamente na subida da conta de luz.

“São as ineficiências do modelo que acabam recaindo sobre as tarifas com o aumento de encargos e subsídios. O modelo do ambiente regulado é ineficiente, e acaba pressionando as tarifas. Por isso a importância de abrir o mercado livre a todos os consumidores”, explicou.

No mercado regulado, chamado de Ambiente de Contratação Regulada (ACR), participam apenas os agentes de distribuição e de geração de energia.

A aquisição da energia ocorre através de leilões públicos promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e operacionalizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para seus clientes.

Já no mercado livre, ou Ambiente de Contratação Livre (ACL), participam das negociações os produtores independentes de energia, agentes geradores, autoprodutores, comercializadores e importadores.

Os acordos são feitos através de contratos bilaterais, onde o consumidor negocia os moldes desta contratação diretamente com os agentes geradores e comercializadores.

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