Engie Brasil foca em renováveis e segue busca por saída do carvão, diz CEO

Companhia deve iniciar as operações do complexo eólico Campo Largo II, ainda no primeiro trimestre

Torres de distribuição de energia
Torres de distribuição de energia Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Por Luciano Costa, da Reuters

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 A Engie Brasil Energia da francesa Engie, manterá seu foco em geração renovável e transmissão de energia, prevendo entregar diversos projetos nos próximos anos, enquanto segue em busca de compradores para seus ativos em carvão, disseram executivos da empresa nesta sexta-feira (12).

Neste ano, a companhia deve iniciar as operações do complexo eólico Campo Largo II, ainda no primeiro trimestre, e dos projetos de transmissão Gralha Azul e Novo Estado, disse o presidente da elétrica, Eduardo Sattamini, em vídeo conferência com investidores e analistas após divulgação de resultados.

“Esperamos agora no final de maio, junho, já ter uma parte desse complexo de linhas e subestações gerando receita e operando para o sistema”, afirmou ele, sobre Gralha Azul, no Paraná, que chegou a ter trechos paralisados por liminar após procuradores questionarem impactos ambientais do empreendimento.

O projeto Novo Estado, entre Pará e Tocantins, é previsto para operação a partir de dezembro.

A Engie também anunciou no início deste ano que construirá um novo complexo eólico, no Rio Grande do Norte, com 434 megawatts, sob o nome Santo Agostinho, que deve ser entregue em 2023. Agora, a companhia já trabalha por outros futuros empreendimentos na mesma região, disse Sattamini.

“Temos ainda alguma capacidade lá, no total 800 megawatts de capacidade instalada, e estamos desenvolvendo novas áreas lá, no complexo, próximas a Santo Agostinho, para que tenhamos também outro ´cluster´”, explicou.

A companhia também está “periodicamente fazendo novas aquisições” de projetos solares para montar uma carteira que atenda seu apetite por expansão, disse o CEO.

A Engie prevê investir R$ 3,5 bilhões no país em 2021 e 1,6 bilhão em 2022, considerados projetos já anunciados.

Esses planos de aportes seguem inalterados apesar da crise do coronavírus. “Conseguimos navegar pela pandemia de uma forma relativamente confortável. Claro, tivemos perdas de volume junto a nossos clientes, renegociações, mas conseguimos segurar o impacto”, afirmou Sattamini.

A empresa também mantém a intenção de deixar negócios com carvão no Brasil, uma missão iniciada há alguns anos.

 

Sattamini disse que a Engie deve retomar a busca por compradores para sua térmica Pampa Sul, no Rio Grande do Sul, ainda no primeiro trimestre, perseguindo fechar uma transação até o final de 2021 ou, no máximo, início de 2022.

Já para o complexo térmico à carvão de Jorge Lacerda, em Santa Catarina, a empresa segue em negociações com potenciais interessados, embora avalie também a possibilidade de desativar gradualmente a usina até 2025 caso não consiga fechar negócio.

“Estamos tentando fazer uma saída suave e responsável socialmente do carvão”, afirmou ele.

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