Especialistas divergem sobre impacto de troca na Petrobras em preço de combustíveis

Para especialistas do setor, a mudança deverá ser positiva para economia do país; o economista Adriano Pires, escolhido para o cargo, já deu declarações sobre ser a favor de o preço internacional não ser integralmente repassado ao mercado interno

Pingo de combustível em posto no Brasil
Pingo de combustível em posto no Brasil REUTERS/Adriano Machado

Leandro ResendeLucas Janoneda CNN

Rio de Janeiro

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O coordenador do Fórum Nacional de Governadores, governador do Piauí Wellington Dias (PT) afirmou à CNN que a troca da presidência da Petrobras “não é suficiente” e “não garante” que os preços dos combustíveis irão baixar no Brasil. “Se for só uma mudança de nomes, o abuso nos preços vai continuar”.

A declaração acontece um dia após duas mudanças no comando da companhia terem sido anunciadas pelo Ministério de Minas e Energia: o economista Adriano Pires foi apontado pelo governo federal para substituir o atual presidente da estatal, o general do Exército Joaquim Silva e Luna. Já Rodolfo Landim foi indicado para a presidência do Conselho de Administração.

Dias e o presidente Jair Bolsonaro têm protagonizado embates públicos sobre o preço dos combustíveis.

O assunto, segundo o governador, deve ser um dos principais da campanha eleitoral de 2022. “Muitas vezes a política de reajuste de preços está indo além da variação internacional. O governo precisa se preocupar em aumentar o refino e tentar estabilizar os preços”, afirmou Wellington Dias.

No entanto, o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, acredita que a troca no comando da Petrobras deverá ser positiva para a economia do país. Na avaliação dele, o sucessor na presidência da estatal, Adriano Pires, irá criar estratégias eficientes para estabilizar as variações do petróleo internacional, tornando o insumo menos volátil no Brasil.

De acordo com Sérgio Araújo, o novo mandatário da Petrobras deverá trabalhar para obter um fundo de estabilização, com o objetivo de controlar os reajustes no preço do petróleo causado pela variação cambial.

“Nós enxergamos a mudança na estatal como um fator positivo para a economia brasileira. O sucessor na chefia da Petrobras vai precisar encontrar uma forma de manter a paridade internacional e, ao mesmo tempo, diminuir a volatilidade do mercado interno. E nós acreditamos que o Adriano Pires é a pessoa certa para realizar esse movimento. Isso porque um dos caminhos que Adriano Pires tem defendido é a criação de um fundo de estabilização, tendo como suporte possivelmente a receita dos royalties ou até mesmo os próprios dividendos pagos pela Petrobras para a União”, destacou o presidente da Abicom.

O professor do Ibmec Gilberto Braga também espera que o novo presidente da Petrobras crie medidas para compensar as variações causadas pela paridade internacional. No entanto, o economista acredita que a troca na presidência não deve modificar a política de preços da estatal.

“A troca de comando da Petrobras não sinaliza, a meu ver, que a política de preços seja alterada. No entanto, Adriano Pires, professor bastante conceituado, já deu declarações que é a favor de que o preço internacional não fosse integralmente repassado ao mercado interno. Dessa forma, isso sinaliza que existe alguma forma de subsídios para compensar e aliviar os aumentos”, destacou.

Algumas horas antes de sua confirmação para assumir a Petrobras, Adriano Pires escreveu numa rede social um texto que chamou atenção de economistas e especialistas do setor. Pires disse que o risco de intervenção na Petrobras antes das eleições é muito baixo por duas razões:

“A primeira é que a regulamentação e o compliance da empresa após a Lava Jato dificultam muito que tanto a diretoria quanto o Conselho de Administração tomem ações que possam prejudicar os acionistas. Segundo, se o presidente Bolsonaro interviesse na empresa, seria acusado de fazer a mesma política de Lula”, escreveu.

Pesquisa Ipespe, divulgada na última quinta-feira (24), mostra que 45% dos entrevistados considera o presidente Jair Bolsonaro o principal culpado pelo aumento dos combustíveis, empatado numericamente com os efeitos da Guerra da Ucrânia. Em seguida aparecem os governadores, apontados por 39%.

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