Espera para entrega de jatinhos e helicópteros particulares chega a 15 meses

Boom do setor e prazo para entrega aquecem também a venda de modelos seminovos

Beatriz PuenteCamille CoutoJaqueline Frizonda CNN

no Rio de Janeiro

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O tempo de espera na fila para compra de jatinhos e helicópteros novos chegou a dobrar na pandemia. Os prazos para a entrega das aeronaves já eram longos, entre seis e oito meses, mas agora podem alcançar até 15 meses de espera para entrega aos compradores.

A explicação para o aumento da demanda está na busca de melhorar a mobilidade. Os compradores são clientes que estavam com dinheiro parado e não puderam realizar viagens comuns por conta da Covid-19.

Apenas para este ano, a Embraer espera entregar até 95 aeronaves executivas a seus clientes. Em 2020, foram 86 modelos disponibilizados. No último balanço, divulgado este mês, a empresa brasileira sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, já contabilizava 44 jatos entregues.

Algumas empresas apontam que o tempo de espera se deve à combinação da alta demanda pelos veículos com a limitada capacidade de produção. Segundo Rubens Cortellazzo, diretor comercial da empresa italiana Leonardo Helicópteros, houve um aumento de pelo menos 35% na demanda no primeiro semestre de 2021.

“Uma linha de produção que foi desenhada para produzir um número determinado de máquinas por ano, você não consegue simplesmente aumentar a produção. A gente tem uma limitação. A demanda cresce e você não consegue atender. Isso reflete em preços também”, afirma Cortellazzo.

Para quem não quer esperar o prazo de entrega para ter uma aeronave particular, o mercado de seminovos tem sido uma opção. A empresa de Gualter Pizzi atua como intermediária entre quem quer comprar um modelo e quem quer vender.

A companhia percebeu um aumento de pelo menos 30% na procura pelos modelos, cujos valores podem variar de US$ 500 mil a US$ 15 milhões (R$ 2,78 milhões e R$ 83,4 milhões). Os preços variam de acordo com modelo, capacidade e autonomia de voo.

“Trabalho há 35 anos no mercado e nunca vi um movimento como esse. Antes o cliente queria um modelo e a gente tinha 10, 12 para avaliar, agora temos cerca de 2 ou 3 modelos”, afirmou Pizzi.

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