Estado indiano suspende negócios na China após conflitos na fronteira

Vinte soldados indianos morreram no conflito na fronteira na semana passada, colocando a China e a Índia em um tenso impasse diplomático e militar

Manifestante na Índia segura cartaz defendendo boicotes contra a China
Manifestante na Índia segura cartaz defendendo boicotes contra a China Foto: Amit Dave - 18.jun.2020 / Reuters

Esha Mitra, Michelle Toh e Sandi Sidhu,

da CNN Business

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Autoridades da Índia estão no processo para interromper mais de US$ 600 milhões em acordos com empresas chinesas após conflitos armados na fronteira com a China.

Governantes do estado indiano de Maharashtra, no oeste do país, disseram na segunda-feira que estão revendo acordos com três empresas chinesas enquanto procuram esclarecer o governo indiano sobre como – ou se – deve proceder.

Os acordos preliminares foram anunciados na semana passada como parte de uma iniciativa do governo local para ajudar a reviver a economia indiana da pandemia de coronavírus. O crescimento na Índia estava desacelerando muito antes da crise, e o PIB deverá diminuir este ano pela primeira vez desde 1979.

Vinte soldados indianos morreram no conflito na fronteira na semana passada, colocando a China e a Índia em um tenso impasse diplomático e militar. As apostas econômicas são altas. A Índia importa mais mercadorias da China do que qualquer outro país. E os dois países possibilitaram a ascensão um do outro como potências tecnológicas. Gigantes da tecnologia chinesa investiram bilhões de dólares nas maiores startups da Índia, enquanto seus fabricantes de smartphones dominam o mercado lá.

O maior negócio em risco em Maharashtra é com a montadora chinesa Great Wall Motors, que havia concordado em uma parceria no valor de quase US$ 500 milhões, segundo as autoridades indianas.

Os outros acordos envolvem a fabricante industrial chinesa Hengli Engineering e a montadora Foton Motor, com sede em Pequim, que já possui uma joint venture com a empresa indiana de ônibus elétricos PMI.

As autoridades não divulgaram quais outras empresas indianas seriam potencialmente afetadas. Muitas empresas locais divulgaram negócios em Maharashtra na semana passada, incluindo a Varun Beverages, fornecedora de produtos Pepsi na Índia, e o Hiranandani Group, um importante promotor imobiliário.

As tensões continuam altas uma semana após a violenta troca. Houve uma mudança na mentalidade do Exército Indiano após os confrontos fatais nas fronteiras, segundo uma fonte das Forças Armadas indianas. As tropas da Índia na fronteira foram instruídas a enfrentar qualquer agressão e transgressão com a mesma força, disse a fonte à CNN.

Na segunda-feira, Subhash Desai, ministro da indústria do estado de Maharashtra, disse em um tweet da mídia do governo do estado que seus funcionários estavam esperando o governo central da Índia avaliar o clima atual dos negócios e anunciar uma política clara sobre como avançar nos negócios. com empresas chinesas.

*Sherisse Pham, Rishi Iyengar e Vedika Sud contribuíram para esta reportagem

(Este texto é uma tradução. Leia a reportagem original aqui)

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