Estudo do Ipea prevê crescimento do PIB potencial abaixo de 1% em 2022

Pesquisadores esperam evolução lenta até 2030, quando índice pode chegar a 3,01%

Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real,Cédulas do real
Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real,Cédulas do real Marcello Casal JrAgência Brasil

Stéfano Salles e Thayana Araújoda CNN

no Rio de Janeiro

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Um estudo publicado nesta segunda-feira (13) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que o PIB potencial brasileiro cresça 0,92% em 2022, e levemente acima de 1% nos dois anos seguintes (1,12% e 1,31%). Isto, porque os pesquisadores do órgão, fundação vinculada ao Ministério da Economia, estimam que a economia apresente uma ociosidade entre 4% e 6% da capacidade produtiva habitual.

O PIB Potencial busca projetar a taxa de crescimento econômico que é possível com os recursos já disponíveis na economia, sem que isso gere novas pressões sobre a taxa de inflação.

Na última quinta-feira (9), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação do país foi anunciado pelo IBGE em 0,87%. Assim, o acumulado de 12 meses fecha próximo dos dois dígitos, com 9,68%.

Produzido pelo diretor de Macroeconomia do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior, em parceria com Fabio Giambiagi, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o estudo “Recuperação econômica e fechamento gradual do hiato: um exercício de consistência de médio e longo prazos” destaca que o Brasil ainda não se recuperou da perda de investimentos ocorrida desde 2014.

Souza Júnior explica a metodologia do estudo. “A taxa de ociosidade já é calculada a partir de uma demanda econômica normal, dentro do potencial de consumo, sem utilizar toda a capacidade de produção instalada para atender demandas superiores a esse potencial. A crise de 2016 nos colocou abaixo do nosso potencial de consumo e, desde então, não conseguimos nem mesmo voltar a ele. Quanto mais, superá-lo”, afirma.

De acordo com os pesquisadores, esse é um patamar semelhante ao enfrentado pela economia brasileira neste momento. O setor tem se recuperado diante da pandemia de Covid-19, que enfrentou no segundo trimestre de 2020 sua crise mais profunda, quando a ociosidade alcançou 14%.

No estudo, os pesquisadores apontam um potencial de crescimento gradual, até que se alcance 3,01% em 2030.

Para isto, seria necessário combinar até lá uma agenda de reformas macrofiscais, para “conter o crescimento de gastos e melhorar a dinâmica da dívida pública”, e microeconômicas e tributárias, para “melhorar o ambiente de negócios e aumentar a eficiência da economia brasileira”.

A publicação prevê que as reformas tragam aumento na taxa de investimentos, o que geraria ainda ganhos de produtividade.

De acordo com Souza Júnior, o cenário projetado não envolve especificamente a conjuntura atual de ausência de matérias-primas e semicondutores para a indústria.

“Não é algo que costuma acontecer, não é nem mesmo sazonal porque, se fosse, as áreas teriam se preparado. Mas nós analisamos muito a questão da demografia, que vem causando a desaceleração do crescimento populacional, reduzindo a população economicamente ativa. Isso, mais adiante, será um limitador”, conclui.

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