Etanol tende a acompanhar a alta dos preços da gasolina, diz ex-diretor da ANP

Com a alta do preço da gasolina, especialistas explicam que o etanol recebe uma demanda maior, o que encarece o produto

Artur Nicocelido CNN Brasil Business

em São Paulo

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Nos postos pesquisados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em todo o país, o preço médio do etanol subiu 0,28% na semana em relação à anterior, de R$ 4,938 para R$ 4,952 o litro. David Zylbersztajn, ex-diretor da ANP, em entrevista à CNN, explicou que o etanol tende a acompanhar a alta dos preços da gasolina.

“Havendo um preço alto da gasolina, aumentará a demanda e [o etanol] tende a se encostar em uma faixa de competitividade do petróleo”. Nas últimas semanas, A Petrobras anunciou que iria elevar o preço da gasolina e do diesel, após 57 dias sem reajustes.

Para a gasolina, a alta será de 18% e, para o diesel, de quase 25%. Os novos valores começam a ser praticados em 11 de março.

Com a alta do preço da gasolina, especialistas explicam que o etanol recebe uma demanda maior, o que encarece o produto. 

E, Apesar dos preços dos combustíveis continuarem subindo no Brasil em meio à alta do petróleo, uma interferência do governo federal na política de preços da Petrobras não faz sentido, aponta Zylbersztajn.

“A companhia é uma empresa de economia mista e, através do Tesouro Nacional, o governo possui a maior porcentagem ações. Porém, a medida pode prejudicar quase um milhão de acionistas, sendo uma boa parte pessoas físicas que colocaram o fundo de garantia [nos papéis], acreditando que a Petrobras teria uma gestão responsável”.

Para o ex-diretor da ANP ainda, mexer em combustíveis artificamente não é o que faz diferença na inflação, “você tem problemas estruturais muito maiores”.

Outro ponto que Zylbersztajn destaca sobre o reajuste dos preços é que a manipulação da cotação afasta investidores, “o que é extremamente prejudicial e nefasto para a Petrobras”.

 

 

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