EUA terão conversa ‘franca’ com China sobre acordo comercial, diz representante

Pacto comercial não abordou de forma "significativa" algumas preocupações dos EUA com as práticas da China, segundo Katherine Tai

EUA devem falar sobre políticas industriais da China
EUA devem falar sobre políticas industriais da China REUTERS/Aly Song

Estadão Conteúdo

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A representante comercial dos Estados Unidos, Katherine Tai, afirmou nesta segunda-feira (4) que terá uma conversa “franca” com seu homólogo chinês sobre o cumprimento da fase 1 do acordo comercial sino-americano fechado em janeiro de 2020.

Durante um evento realizado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, a autoridade americana disse que o governo Joe Biden realizou uma revisão “abrangente” nos últimos meses sobre a relação bilateral com a China, que ela classificou como “competitiva e complexa”.

“Por muito tempo, a falta de adesão da China às normas de comércio global minou a prosperidade dos americanos e de outros ao redor do mundo”, criticou Tai.

Segundo ela, a nova abordagem dos EUA em relação a Pequim levará em conta o que é, na visão do governo, melhor para os trabalhadores americanos.

Ela disse que o principal objetivo da Casa Branca será fazer a economia crescer para criar mais postos de trabalho no país. “Como representante comercial dos Estados Unidos, pretendo cumprir a visão do presidente Biden para uma política comercial centrada no trabalhador na dinâmica comercial EUA-China”, disse a representante comercial de Washington.

Na visão de Tai, a fase 1 do acordo, que incluiu compromissos “limitados” da China com relação à propriedade intelectual e a transferências de tecnologia, além da compra de produtos americanos, estabilizou o mercado, especialmente para as exportações do setor agrícola dos EUA.

“Mas nossa análise indica que, embora os compromissos em certas áreas tenham sido cumpridos e certos interesses comerciais tenham sido beneficiados, houve deficiências em outras”, ponderou.

A realidade, segundo a autoridade americana, é que o pacto comercial não abordou de forma “significativa” algumas preocupações fundamentais dos EUA com as práticas da China.

“Mesmo com o Acordo de Fase Um em vigor, o governo da China continua a despejar bilhões de dólares em setores-alvo e continua a moldar sua economia de acordo com a vontade do estado – prejudicando os interesses dos trabalhadores aqui nos EUA e em todo o mundo”, explicou.

Na conversa que terá com autoridades chineses, Tai disse que discutirá o desempenho de Pequim no cumprimento do acordo e também as políticas industriais do país asiático. “Nosso objetivo não é inflamar as tensões comerciais com a China”, frisou.

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