Exportações brasileiras podem crescer 90% após acordo com EUA, aponta Ipea

Em 14 anos, tratado geraria mais de US$ 50 milhões para o Brasil

Medida poderia gerar um crescimento de 0,41% do PIB brasileiro
Medida poderia gerar um crescimento de 0,41% do PIB brasileiro REUTERS/Amanda Perobelli

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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As exportações brasileiras podem crescer cerca de 90% em apenas 14 anos, caso um Tratado de Livre Comércio (TLC) entre Estados Unidos e Brasil seja selado. É o que traz um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projeta uma alta de U$ 50,2 bilhões no volume de produtos exportados se o acordo bilateral for concretizado.

O modelo de livre comércio acontece quando a troca de bens e serviços entre países não é afetada por restrições do estado, como a adoção de impostos.

O levantamento da última sexta-feira (12) detalha que a medida poderia gerar um crescimento de 0,41% do PIB brasileiro. Para o diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea, Ivan Oliveira, a aproximação comercial entre os países poderia ajudar a mitigar as consequências provocadas pela pandemia de Covid-19.

“A pandemia trouxe um cenário desafiador para a economia global e continua afetando vários setores da cadeia produtiva. É fundamental buscar soluções sustentáveis e fortalecer os laços com parceiros econômicos estratégicos como os Estados Unidos. A pesquisa destaca a importância de reduzir as barreiras não tarifárias para viabilizar as negociações”, afirmou.

Caso o tratado seja concretizado, o estudo projeta uma alta no fluxo de exportações brasileiras em seis setores: petróleo e gás, produtos de metal, químicos, equipamentos de transportes, alimentos, bebidas e serviços.

Já nas importações dos EUA, o eventual acordo beneficiaria a indústria de dispositivos eletrônicos, máquinas, veículos e peças e produtos minerais. O representante adjunto de Comércio dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Daniel Watson, ressalta que a aproximação comercial abriria oportunidades para o desenvolvimento da atividade econômica de ambas as economias.

“O Brasil possui uma forte tradição em setores como a agropecuária, por exemplo. A aproximação comercial pode favorecer o desenvolvimento de novas redes de fornecimento. Portanto, a construção de uma agenda regulatória é uma grande contribuição para avançarmos nesse processo”, disse Watson.

O Ipea aponta que a China, a União Europeia, os Estados Unidos, o Mercosul e o Japão são os principais parceiros econômicos do Brasil, que representam o destino de 65% de todas as exportações do país. Juntos, os cinco somaram US$ 88,4 bilhões no primeiro semestre deste ano.

De acordo com o instituto, a China é a maior parceiro econômico do Brasil, sendo responsável por US$ 47,2 bilhões no primeiro semestre de 2021. Logo em seguida aparece a União Europeia com US$ 17,8 bilhões, os Estados Unidos, com US$ 13,3 bilhões, Mercosul, com US$ 7,9 bilhões e Japão, com US$ 2,2 bilhões.

Atualmente, o Brasil tem um acordo de Livre Comércio apenas com o bloco de países sul-americanos, o chamado Mercosul. A CNN procurou o Itamaraty para perguntar como estão as negociações para acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores não respondeu.

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