“Extremamente apertado”, diz ex-presidente do IBGE sobre orçamento para Censo

Ministério da Economia encaminhará para o Congresso proposta de ampliação para R$ 2,9 bilhões

Na semana passada, o IBGE respondeu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que é “absoluta a necessidade dos recursos demandados para a realização do Censo Demográfico em 2022, no valor de R$ 2,3 bilhões”
Na semana passada, o IBGE respondeu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que é “absoluta a necessidade dos recursos demandados para a realização do Censo Demográfico em 2022, no valor de R$ 2,3 bilhões” Tânia Rêgo/Agência Brasil

Beatriz Puenteda CNN

Rio de Janeiro

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A Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento viabilizou a ampliação em quase R$ 300 milhões dos recursos destinados ao Censo Demográfico, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) nesta sexta-feira (15).

Mesmo com o aumento, no entanto, o recurso ainda não é satisfatório e coloca a operação de coleta de dados da pesquisa de 2022 em risco, segundo o ex-presidente do IBGE Roberto Luís Olinto, que chefiou o instituto entre 2017 a 2019.

“Extremamente apertado. Se acontece algum problema, como precisa adiar a coleta em um mês, você não tem margem. Trabalhar com o Censo apertado neste momento vai exigir uma logística que não tem margem para erro, são 100 mil pessoas para 70 milhões de domicílios”, disse à CNN.

A discussão sobre o custo da pesquisa voltou à tona após o estado do Maranhão ter ido ao STF (Supremo Tribunal Federal) para dizer que o governo federal estaria descumprindo a decisão da Corte, que estabeleceu que a pesquisa deve ser feita em 2022.

Anteriormente, a União havia destinado R$ 2 bilhões para essa finalidade, mas o IBGE havia dito que o montante não era suficiente.

O governo do Maranhão alertou que a proposta de Orçamento da União prevê R$ 2 bilhões para o Censo, valor que seria insuficiente.

“É uma loucura ter que chegar até um Supremo Tribunal, é inaceitável. Nunca chegou a esse ponto. O Censo é uma necessidade do país”, pontuou o ex-presidente.
Para Olinto, mesmo com a ampliação do montante, o orçamento ainda não é satisfatório e coloca a operação de coleta de dados da pesquisa de 2022 em risco.

Em 2019, o orçamento para a realização do Censo de 2020 seria de cerca de R$ 2,3 bilhões. Valor 25% menor que os R$ 3,1 bilhões inicialmente previstos.

O ex-presidente do IBGE ainda destaca que, por conta da pandemia e do modelo pelo qual a pesquisa é feita, em cada domicílio, o Censo de 2022 terá um custo extra que nunca houve em nenhum plano orçamentário: equipamentos sanitários.

Pela não realização do levantamento demográfico nos últimos dois anos, Roberto Olinto avalia que o questionário deveria incorporar perguntas sobre o impacto da pandemia, o que não será feito pelo IBGE. Segundo o ex-presidente da Instituição, a possibilidade nem chegou a ser discutida com acadêmicos e destaca que será “mais do que necessário” fazer uma nova contagem após um período, para entender os reflexos da pandemia.

*Sob supervisão de Camille Couto

 

 

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