Falar em suspender bandeira vermelha é medida populista, diz especialista em energia

À CNN, Roberto Kishinami afirmou que custos seguem elevados e 'ninguém vai operar no prejuízo'

Bolsonaro afirmou que irá determinar ao Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que retome a cobrança “normal”
Bolsonaro afirmou que irá determinar ao Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que retome a cobrança “normal” Marcelo Camargo/Agência Brasil

Amanda Garciada CNN

em São Paulo

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O especialista em energia e coordenador do Instituto Clima e Sociedade, Roberto Kishinami, acredita que não é a hora de suspender a bandeira vermelha da conta de luz.

Na noite desta quinta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que irá determinar ao Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que retome a cobrança “normal”.

Em entrevista à CNN, Kishinami disse que a vontade do presidente é “uma manifestação populista”: “Se há algum aumento dos custos e não se diz como vai cobrir isso, está criando uma situação sem solução, ninguém vai operar no prejuízo. Isto vale tanto para termoelétricas, quanto para o pãozinho que se compra.”

“Ninguém oferece o produto se não tem impacto entre custos e receitas, essa é a situação”, completou. Segundo ele, apesar das chuvas recentes, o quadro de escassez hídrica e energética ainda não mudou.

De acordo com o especialista, não é possível dizer se o período de chuvas vai ser suficiente para recompor os reservatórios.

“Aqui no Sudeste, estamos entre 17 e 18% da capacidade, será preciso muita chuva para conseguir recompor e isso é fundamental para conseguirmos enfrentar o ano de 2022”, destacou.

Kishinami reforçou que “com a vacinação avançada, o que precisamos urgentemente é crescimento da economia, para recuperar o nível que a gente tinha antes da pandemia.”

Atualmente, a Agência Nacional de Energia Elétrica estabeleceu a bandeira “escassez hídrica”, em que são cobrados R$ 14,20 por 100 kilowatts hora consumidos.

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