Fatiamento da Oi é o fim da super tele nacional

Planos eram de criação de uma multinacional verde amarela e recebeu aportes importantes do BNDES

Em 2016, a Oi entrou em recuperação judicial com uma dívida que girava em torno de R$ 40 bilhões
Em 2016, a Oi entrou em recuperação judicial com uma dívida que girava em torno de R$ 40 bilhões ITACI BATISTA

Raquel Landimda CNN

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Aprovado hoje pelas autoridades de defesa da concorrência, o fatiamento da operação de telefonia móvel da Oi entre suas principais concorrentes – Claro, Tim, Vivo – é o fim do projeto da super tele nacional.

Braço de telefonia móvel da antiga Telemar, a Oi se transformou na super tele nacional em 2008 num lance bastante polêmico. A empresa pagou R$ 5,8 bilhões pela rival Brasil Telecom, um valor exorbitante na época. Vieram junto outros bilhões em dívidas.

“Criaram uma empresa com uma dívida gigantesca e muito difícil de administrar”, avalia Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. O negócio feria os princípios do plano nacional de outorgas e foi necessário um decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para autorizá-lo.

Os interesses econômicos e políticos eram os mais variados e ficam evidentes pela lista de acionistas naquele período. Do lado da Telemar, estava a Andrade Gutierrez (depois envolvida no escândalo da Lava Jato) e o grupo Jereissati. Pela Brasil Telecom, o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.

O negócio era tão complexo que envolveu ainda a Portugal Telecom. Os planos eram de criação de uma multinacional verde amarela e recebeu aportes importantes do BNDES. A Oi chegou a ter negócios em Angola, na África.

Mas os erros de gestão foram se acumulando. Além da dívida inadministrável, a empresa investia pouco, pagava muito aos seus antigos executivos e acionistas, e chegou tarde na telefonia móvel, que se tornou rapidamente o principal negócio.

“A Oi foi o quarto ou quinto player nesse mercado, se incluirmos a antiga Nextel.  Investiram pesado no celular pré-pago voltado para a classe média baixa, um mercado do qual os concorrentes fugiam”, relembra Juarez Quadros, ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Em 20 de junho de 2016, a Oi entrou em recuperação judicial com uma dívida que girava em torno de R$ 40 bilhões. Os novos acionistas, em sua maioria fundos internacionais de investimento, trouxeram o executivo Rodrigo Abreu para tentar resolver a situação.

Desde então, Abreu vem executando um plano bem-sucedido de venda de ativos, dividindo a empresa em várias unidades com o objetivo de pagar as dívidas. A operação mais valiosa era a telefonia móvel.

Depois de alguma disputa com novos entrantes, um consórcio formado por Oi, Tim e Claro, comprou essa parte por R$ 16,5 bilhões. Mas ainda faltava as autoridades de defesa da concorrência, o que aconteceu hoje depois de muito debate.

O Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) aprovou o negócio com um placar apertado. Foram três conselheiros contra e três a favor, com voto de minerva do presidente da autarquia, Alexandre Cordeiro.

O relator do caso, conselheiro Luis Braido, votou contra. Disse que a transformação de quatro empresas em três reduziria a concorrência. Sem dúvida. Mas, na prática, não restava muito a ser feito.

Sem o negócio, dizem os analistas, os clientes da Oi também acabariam nas mãos dos concorrentes com o passar do tempo, enquanto os credores ficariam sem nada. E entre os credores, estão o BNDES e a Anatel.

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