Faturamento do setor mineral no Brasil tem queda de 20% no 1º trimestre deste ano

Resultado foi puxado principalmente pelo fechamento da China em decorrência da Covid-19 e de eventos climáticos, especialmente em Minas Gerais, que fizeram reduzir a produção mineral no país

Estoque de minério:China, que é atualmente a maior compradora de minérios do Brasil, reduziu em 31% as importações neste 1º trimestre na comparação anual
Estoque de minério:China, que é atualmente a maior compradora de minérios do Brasil, reduziu em 31% as importações neste 1º trimestre na comparação anual 10/06/2010REUTERS/Sheng Li

Iuri Corsinida CNN

Rio de Janeiro

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A indústria mineral brasileira sentiu os impactos climáticos e externos e teve queda nos resultados neste primeiro trimestre. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), na comparação entre os três primeiros meses de 2022 e o primeiro trimestre de 2021, foi estimada redução de 13% na produção e 20% no faturamento do setor mineral.

O faturamento total foi de R$ 56,2 bilhões e a produção no período foi de 200 milhões de toneladas.

Segundo o Ibram, as medidas de isolamento adotadas em diversas cidades da China devido à Covid-19 e a queda na produção de minério de ferro em decorrência das elevadas chuvas em Minas Gerais foram um dos principais fatores para os resultados inferiores da indústria.

A China, que é atualmente a maior compradora de minérios do Brasil, reduziu em 31% as importações neste primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado e em 29% em relação ao último trimestre de 2021. Sendo assim, as exportações tiveram queda de 22,8% no período.

Apesar disso, o saldo comercial (que é a diferença entre as importações e exportações) mineral brasileiro foi de US$ 6,2 bilhões. O setor ainda arrecadou R$ 19,4 bilhões em tributos e royalties (queda de 20%).

Ainda conforme divulgado pelo Ibram, os investimentos previstos nos próximos cinco anos (de 2022 a 2026) são de US$ 40,4 bilhões. Deste montante, 46% já está em execução. São US$ 36, 2 bilhões em produção e em infraestrutura e US$ 4,2 bilhões em investimentos socioambientais.

Para Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM, os resultados, mesmo tendo havido redução em relação ao ano passado, mostram que os expressivos volumes de investimentos sinalizam a importância da indústria mineral para o desempenho econômico do país.

“Mesmo quando há alguma queda nos resultados, as exportações de minérios geram divisas das quais o país não pode abrir mão. Daí ser muito conveniente ao país estimular a pesquisa mineral para que possa haver expansão planejada da mineração sustentável e, além disso, precisa haver a consciência de que essa indústria não pode estar exposta a seguidas tentativas de sangrar sua competitividade por meio da elevação de seus tributos e encargos, como se tem observado”, disse ele durante a apresentação dos dados do setor nesta terça-feira (26).

Apesar de prever a possibilidade de continuidade das estratégias da China para estabilizar o preço dos minérios, o Ibram estima que haverá uma “ligeira recuperação” dos resultados nos próximos meses. Segundo o instituto, a produção brasileira não deve ser novamente impactada por eventos climáticos, que são mais frequentes no início do ano.

O maior faturamento por substância foi do minério de ferro, que somou R$ 32,7 bilhões (33% a menos do que no 1º trimestre do ano passado e 43% a menos do que nos últimos três meses de 2021). O valor representa 58,1% de todo o faturamento do setor mineral. Depois, dos principais responsáveis pelo faturamento, aparecem o ouro, com 11% (R$ 6,5 bilhões) e o cobre, 9% do faturamento total. (R$ 5 bilhões).

Já em relação aos minérios importados pelo Brasil no primeiro trimestre de 2022, os principais foram o potássio – essencial na fabricação de fertilizantes – que somou 46% das importações, e o carvão (40%).

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