Fed mantém juros perto de zero e promete “todas as ferramentas” contra crise

Banco central dos EUA não alterou a taxa de juros do país e disse que vê "riscos consideráveis" da pandemia na economia no médio e longo prazo

Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019)
Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019) Foto: Leah Mills/Reuters

Reuters

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As autoridades do Federal Reserve mantiveram nesta quarta-feira a taxa de juros perto de zero e repetiram a promessa de fazer o que for necessário para sustentar a economia, afirmando que a pandemia de coronavírus vai “pesar com força” sobre a perspectiva de curto prazo e apresenta “riscos consideráveis” para o médio prazo.

“O Federal Reserve está comprometido em usar sua gama total de ferramentas para sustentar a economia dos Estados Unidos neste momento desafiador, promovendo as metas de máximo emprego e estabilidade de emprego”, disse o banco central norte-americano em comunicado ao final de dois dias de reunião de política monetária realizada por videoconferência.

Com tanta incerteza em torno da perspectiva econômica, o Fed afirmou que espera manter os juros “até que esteja confiante de que a economia superou os eventos recentes e está a caminho de alcançar suas metas de emprego máximo e estabilidade de preços”.

Confiança 

Em entrevista coletiva virtual, após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que os gastos dos consumidores não serão recuperados em relação aos níveis pré-pandemia até que seja retomada a confiança deles e dos empresários. “Esperamos até haver bastante confiança de que a economia está no caminho.”

De acordo com Powell, o Fed não está com nenhuma pressa para voltar a subir os juros ou reduzir as medidas de estimulo monetário para tornar as condições de crédito nos EUA menos restritivas. “Nossos empréstimos ajudam não apenas em si, mas ao dar confiança ao mercado”, afirmou Powell.

Powell também disse que, enquanto as expectativas de inflação continuarem ancoradas, não haverá deflação nos EUA, e destacou que o Fed monitora de perto a trajetória dos preços.”Temos instrumentos para fazer o que for necessário para evitar danos de longo prazo”, reforçou. 

Sobre o mercado de trabalho, o presidente do Fed acredita que o desemprego nos EUA chegará a “um nível alto no segundo trimestre” deste ano, mas é incerto qual será este patamar. Nas últimas cinco semanas, 26,45 milhões de pessoas perderam o emprego no país devido à pandemia do coronavírus.

“Quando os gastos dos consumidores voltarem, as pessoas serão de novo contratadas”, apontou Powell.

*Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo 

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