FGV prevê alta de 0,3% em janeiro no IPCA-15

Resultado será influenciado pela falta de chuvas e crise nas colheitas, segundo o economista André Braz

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Nathalie Hanna AlpacaLucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Uma projeção feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da CNN, nesta terça-feira (25), mostra que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado a prévia da inflação, deve ter uma alta de 0,3% em janeiro, em comparação com o último mês de 2021. O indicador oficial será divulgado, nesta quarta-feira (26), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

À CNN, o economista da FGV, André Braz, afirmou que a expectativa é de uma inflação positiva para os próximos meses. Ele explicou que o indicador será pressionado pela energia elétrica e pelas colheitas prejudicadas pela falta de chuva.

“O sul do país está passando por um período de seca, o que prejudica o valor de alimentos como o frango, carne, arroz, leite e derivados, que podem ter uma alta de até 15%. O impacto das questões sazonais, como o verão e o fenômeno la niña, provoca quebra dessas safras e afeta a inflação ao longo do ano. A colheita do milho, por exemplo, encarece a carne do frango por ser a principal ração para as aves”, destacou o economista.

Braz chama atenção também para a escassez hídrica, que prejudica os reservatórios e faz com que o governo acione mais as termelétricas, fator que encarece a conta de luz. Para o economista, a energia deve continuar no radar da inflação deste ano, e a tendência é que haja um aumento do indicador nos primeiros meses de 2022. No entanto, ele espera que o índice desacelere no segundo semestre.

“Aguardamos uma persistência inflacionária maior no primeiro trimestre deste ano, levando em conta as condições climáticas desfavoráveis, como a falta de chuvas. Mas, a tendência é que, a partir do segundo trimestre, se houver melhoria das questões climáticas, o índice desacelere”, diz André Braz.

Embora o reajuste no valor da gasolina tenha sido crescente, Braz ressalta que, nessa prévia, ela ainda não deve ser tão expressiva, já que o reajuste do combustível divulgado pela Petrobras aconteceu apenas no início de janeiro. Ele prevê que os preços do combustível comecem a afetar a inflação a partir de fevereiro. Além da gasolina, para o próximo mês, a projeção também será impactada pelas mensalidades escolares.

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