Fiesp diz que é preciso pensar além do Copom

Sob nova gestão, a Federação das Indústrias de São Paulo adotou um tom inédito em seu comunicado sobre a alta da Selic determinada nesta quarta-feira pelo BC, para 10,75% ao ano

Edifício sede da Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo
Edifício sede da Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo Divulgação

Thais Herédiada CNN

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Quando Banco Central eleva taxa de juros, setores da atividade econômica não demoram a reagir e criticar o aperto monetário que implica em menor crescimento. Uma das entidades mais vocais destes momentos é a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo).

Sob nova gestão, com o empresário Josué Gomes da Silva à frente da organização desde julho passado, a Fiesp adotou um tom inédito em seu comunicado sobre a alta da Selic determinada nesta quarta-feira pelo BC, para 10,75% ao ano.

Logo na primeira indagação, a nova direção da Federação afirma que as decisões do Copom, para além de seus efeitos sobre a economia, “deveriam soar como alerta sobre tudo o que deixamos de fazer a contento para colhermos crescimento econômico com geração de emprego e renda de modo sustentável”, diz a nota oficial.

“O novo patamar da Selic incomoda, e muito, já que a inflação que visa combater não apresenta um perfil condizente para um tratamento exclusivo via aumento dos juros. Mas deveriam incomodar muito mais as razões que movem o Copom a refrear a atividade econômica já combalida”, segue a manifestação.

A Fiesp também amplia o debate sobre as condições para ao crescimento ao afirmar que as diretrizes para o desenvolvimento do país não podem estar condicionadas às questões conjunturais, nem apenas sob as ações do Banco Central e do Tesouro Nacional.

“Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo as questões conjunturais, em geral de curto prazo e que definem as ações monetárias do Banco Central (BC), não devem sobrepor-se às razões estruturais que influenciam a economia nacional. Muito mais que o BC e o Tesouro, são os poderes da República e a sociedade que devem dar as diretrizes visando o interesse comum do desenvolvimento nacional”, diz o documento enviado à coluna.

Nesta quarta-feira, o IBGE divulgou resultado da produção industrial em 2021, com alta de 3,9%, insuficiente para repor as perdas de 4,5% de 2020 e de 1,1% de 2019. Os dados escancaram a perda de competitividade e força do setor para recuperar um ritmo forte de retomada e participação na economia brasileira.

Ao se posicionar sobre a alta dos juros, a nota da Fiesp nem sequer cita o novo patamar da Selic, ou qualquer indicador ou previsão de efeitos nocivos ao país. O tom adotado pela gestão de Josué Gomes da Silva parece querer inaugurar um novo modelo de comunicação, inclusive na forma de apresentar a relevância do setor para a economia.

“Além de reconhecer as virtudes do setor primário e sua importância para a economia brasileira, é preciso também almejar o mesmo dinamismo para o setor industrial. A indústria de transformação é o principal canal de geração de inovações e espraiamentos tecnológicos para os demais setores. A expansão da renda e a geração de empregos de qualidade são características da indústria de transformação, com impactos positivos generalizados, do agronegócio aos serviços. Por isso, a Fiesp afirma: é preciso pensar para além do Copom”, conclui a nota.

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