Foco de investimento da próxima década será transição energética, diz economista

CEO da Ohm Research, Roberto Attuch Júnior, explica que parte da crise energética mundial é por redução de incentivos às energias fósseis

Da CNN

Em São Paulo

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A crise energética mundial deve mudar o foco dos investimentos da próxima década, avalia o economista e CEO da Ohm Research, Roberto Attuch Júnior.

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (5), ele explicou que a falta de gás para geração de energia elétrica na Europa é resultado de uma série de fatores, porém não é possível responsabilizar o incentivo às fontes renováveis pela crise atual.

“Muita gente tem colocado a culpa em práticas de ESG, que querem dizer basicamente a busca por energia mais limpa, e, na verdade, parte dessa crise também é em função de redução de investimentos em energias fósseis”, disse.

O especialista destacou que a realização da COP26, em novembro, deve focar na emergência climática pela qual o mundo passa.

“Isso está sendo esfregado na nossa cara o tempo todo. Por isso, o principal tema de investimento nos próximos 10 anos deverá ser tudo que estiver ligado à transição energética.”

Enquanto no Brasil a crise hídrica acende alerta para possíveis desabastecimentos, o continente europeu se preocupa com o gás natural.

Além de ser a fonte de aquecimento de residências, o preço da commodity disparou nos últimos meses. O motivo é a retomada da economia com o avanço da vacinação contra a Covid-19.

Attuch explicou que países que não têm fontes alternativas de energia, como Itália, Grécia e Espanha, já anunciaram subsídios para os consumidores numa tentativa de conter a alta da conta de luz. Para ele, essa é uma solução “transparente” que ajuda a manter os mecanismos de mercado.

“Quando falam que [a crise de energia] é o custo da transição energética, não acho que se deva comparar quanto que o gás ou petróleo está subindo e debitar isso na conta da transição energética, porque isso deveria ter sido iniciado há 40 anos. O verdadeiro custo é o de não se fazer nada”, afirmou.

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