Fragilidade financeira e pouco investimento: pesquisa mostra momento de PMEs

A principal dificuldade apontada pelas indústrias foi aumento dos preços de matérias-primas, mostra levantamento da Fiesp adiantado com exclusividade para a CNN

Clientes almoçam em um restaurante reaberto após a flexibilização das medidas de quarentena em 6 de julho de 2020, em São Paulo
Clientes almoçam em um restaurante reaberto após a flexibilização das medidas de quarentena em 6 de julho de 2020, em São Paulo Foto: Miguel Schincariol/Getty Images

do CNN Brasil Bsuiness, em São Paulo

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Pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e adiantada com exclusividade para o CNN Brasil Business revela que mais de 56% das empresas têm alguma operação de financiamento ativa. Destas, 90% são micro, pequenas e médias indústrias.

O levantamento mostra ainda que 66% das micro, pequenas e médias empresas que tomaram crédito na praça precisam do dinheiro para capital de giro. A coleta das informações foi feita de 31 de maio a 11 de julho, com 301 participantes. 

O Sylvio Gomide, diretor do departamento das PMEs, reconhece que isso demonstra fragilidade de caixa das empresas, que vem desde o ano passado, quando ninguém sabia como seria enfrentar a pandemia. 

A principal dificuldade apontada pelas indústrias foi aumento dos preços das matérias-primas, já que não foi possível para repassar todo esse custo para não correr risco de perder clientes. 

A pesquisa mostra também que 28% dos entrevistados querem fazer investimento, um patamar considerado baixo.

“É um número muito pequeno, sem dúvida. Isso porque as PMEs, sobretudo, estão captando recurso para o dia a dia para folha de pagamento, impostos, compra de matéria-prima, que tiveram alta histórica nos últimos meses, e como apontado pela pesquisa da Fiesp, as micro, pequena e médias ainda têm sido impactadas com a baixa retomada das vendas e falta de reserva financeira”, diz Gomide.

O especialista ressalta que, em 2019, a mesma pesquisa feita para a Fiesp mostrava uma intenção de investimento de quase de 50%.

Apesar do cenário preocupante, porém, a expectativa é de melhora. “Temos expectativa de alta, principalmente porque as empresas estão de olho na indústria 4.0, de olho em novas tecnologias e atuando no e-commerce para impulsionar as vendas”, diz.  

Essa entrevista foi transmitida no Abertura de Mercado desta segunda-feira (19), podcast apresentado pela analista de economia da CNN Thais Herédia. 

(*Texto publicado por Ligia Tuon)

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