Governo deve reformular programas sociais existentes, diz economista do Insper

Especialista de gestão em políticas públicas, Naércio Menezes Filho diz que é possível criar novo programa de transferência de renda sem afetar contas públicas

Da CNN, em São Paulo

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O governo anunciou nesta terça-feira (30) mais duas parcelas do auxílio emergencial de R$ 600. A medida vem após diversas pressões que o Ministério da Economia sofreu por parte do Congresso para que o programa, inicialmente pensado para três meses, tivesse mais parcelas para suportar a lenta recuperação econômica brasileira com a pandemia do novo coronavírus.

No anúncio das novas parcelas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo já trabalha com o projeto para que o auxílio se transforme em algo similar à renda básica universal, que seria contemplado no Renda Brasil, projeto de transferência de renda sendo elaborado pelo Governo Federal. Especialista de gestão em políticas públicas, o economista do Insper, Naércio Menezes Filho diz que é possível criar um novo programa de transferência de renda sem afetar as contas públicas, mas entende que o ideal seria reformular os programas atuais.

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“O caminho é reformular os programas sociais existentes. Na minha opinião, devemos usar o Bolsa Família, cuja transferência atualmente é pequena. Devemos aumentar o valor da transferência para famílias com crianças pequenas, pois elas precisam de um ambiente tranquilo para se desenvolver plenamente. Devemos caminhar nesta direção.”

Questionado sobre o tempo que o governo deveria prorrogar o auxílio emergencial, Naércio disse que o momento é de esperar para entender como será a reação do público no consumo pós-pandemia.

“O tempo para prorrogar depende da duração da crise que estamos vivendo. As pessoas irão voltar às ruas para consumir? Ou será que elas ficarão com medo de serem contaminadas ao saírem nas ruas? Difícil saber a essa altura. Acho que o governo deve prorrogar por mais dois meses e esperar para ver se as pessoas voltarão a consumir novamente.”

(Edição: André Rigue)

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