Governo tem que decidir como vai salvar as MPMEs, diz presidente da Stone

Para o presidente da fintech, Augusto Lins, a solução tem que aparecer rapidamente porque a folha de pagamento das empresas está vencendo esta semana

Thais Herédiada CNN

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As operadoras de maquininhas de cartão de crédito apresentaram ao governo federal um pedido e uma solução para acelerar a transferência de recursos aos micro e pequenos empresários que sofrem com a crise do novo coronavírus. A ideia é usar as maquininhas como meio de realizar operações de crédito para os milhões de negócios espalhados pelo país. 

A Stone, uma das operadoras, integra o grupo de empresas que dialoga com a equipe econômica para encontrar a maneira mais rápida e eficiente de alcançar ao menos 3,3 milhões de estabelecimentos que fazem uso das máquinas como meio de pagamento. Para o presidente da fintech, Augusto Lins, a solução tem que aparecer rapidamente porque a folha de pagamento das empresas está vencendo esta semana. 

“Estamos falando de um público, uma categoria de micro empreendedores, com faturamento abaixo da linha de R$ 360 mil, são lojistas com menos capital de giro, mais vulneráveis e que empregam uma quantidade significativa de pessoas. Os salários estão vencendo agora esta semana. O que a gente nao quer é que um problema de saúde vire um problema econômico e social”, disse em entrevista exclusiva à coluna, Augusto Lins

Responsáveis por quase um terço do PIB brasileiro, as micro e pequenas empresas estão na linha de fogo do impacto econômico causado pelo novo coronavírus. São cerca de 6,6 milhões de estabelecimentos que atendem à classe média, especialmente, com todo tipo de comércio e serviços prestados. As medidas anunciadas até agora pelo governo estão na direção correta na avaliação do executivo da Stone. Mas ainda falta fazer mais para alcançar os micro e pequenos que não tem acesso ao sistema financeiro tradicional.

“Nós temos este ‘tubo’ e estamos disposto a ajudar sem cobrar nada, sem spread, sem custo. Precisamos de 3 meses, num esforço muito grande para evitar que estabelecimentos comercial demitam e não sobrevivam. O governo quer ajudar e já começou . Nós temos dito aos clientes que é preciso ter calma, que esta crise tem inicio, meio de fim e que temos que sair mais fortes”, desabafa o executivo da Stone. 

O limite do governo é fiscal, mesmo que já esteja claro que só o setor público tem capacidade de socorrer trabalhadores e empresas neste ambiente de extrema incerteza e muitas perdas. A solução com uso das maquininhas emperra na fonte de financiamento deste crédito a ser concedido aos empresários. O Tesouro Nacional já se comprometeu com R$ 34 bilhões para financiar a folha de pagamento das pequenas e médias, mas não parece suficiente. 

“O governo vai ter que decidir se ele quer fazer este gesto através do crédito. É com se fosse um seguro defeso aos pescadores, que ficam proibidos de exercer sua atividade para preservar a reprodução dos peixes e precisa ser compensado de alguma forma.

Este recurso deveria ser carimbado, temporário, para dar fôlego para empresas passarem por essa travessia, sem reembolso. O governo tem se predisposto a ouvir, mas ainda não temos nada formal”, explica Augusto Lins. 

Integrantes da equipe econômica confirmaram à coluna que tem mantido diálogo com as empresas de maquininhas. Entretanto não sinaliza se a ideia vai se concretizar. A dinâmica da transferência dos recursos é bastante complexa, principalmente se for contar apenas com dinheiro público. 

“As medidas são em ondas. Não podemos soltar tudo de uma vez. Temos que avaliar os efeitos de tudo que fizemos até agora, que não foi pouco. Nós ficamos aqui desenvolvendo soluções para muitas coisas e quando, e se, for necessário, a gente já tenha algo pronto”, disse uma fonte ouvida pela coluna.

Confira a íntegra da entrevista com Augusto Lins no vídeo abaixo:

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