Guedes: aperfeiçoamento do Bolsa Família perdeu espaço político para renda básica

Segundo o ministro da Economia, esse foi um dos principais fatores que levaram o presidente a definir que nenhuma família receberia menos de R$ 400 mensais

O ministro da Economia Paulo Guedes
O ministro da Economia Paulo Guedes Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Anna Russida CNN

em Brasília

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o conceito de uma renda mínima no país bloqueou outras alternativas, uma vez que se tornou preferência na ala política ante aperfeiçoamentos do antigo programa social, o Bolsa Família.

Segundo ele, esse foi um dos principais fatores que levaram o presidente Jair Bolsonaro a definir que nenhuma família brasileira poderia receber benefício inferior a R$ 400 mensais.

“A economia defendeu um Bolsa Família de R$ 300 dentro do teto. […] veio a pressão política pela ideia da renda básica. Esse imperativo político invadiu o universo econômico”, disse durante o evento de comemoração dos 29 anos da Secretária de Política Econômica (SPE), nesta quinta-feira (18).

“Eu assisti as propostas de aperfeiçoamento do Bolsa Família perderem espaço político para a renda básica”, completou. O ministro ainda reforçou que o maior valor do benefício foi calculado pela equipe e que é “algo compreensível do ponto de vista social”, apesar dos impactos nas noções de equilíbrio fiscal.

Guedes ainda comentou sobre a saída de alguns secretários da equipe econômica como consequência dessa imposição política ao Auxílio Brasil de R$ 400. “Houve uma crise quanto à isso: teve gente que saiu por não aceitar a flexibilização do teto ou esse conceito de renda básica que parecia oportunista politicamente”, disse.

Em relação a polêmica de ruptura do teto de gastos, Guedes defendeu mais uma vez a solução para a conta de precatórios, que também abre espaço fiscal para o pagamento do Auxílio Brasil em 2022. “Estão chamando de PEC do calote o que exatamente para evitar um calote. […] Estamos lutando para colocar os precatórios, uma quarta despesa incontrolável, embaixo do teto. Arcabouço fiscal brasileiro não está sendo derrubado”, afirmou.

 

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