Guedes: Campanha de vacinação em massa deve custar R$ 20 bilhões

Guedes também comentou que o governo ainda estuda o uso de ferramentas, dentro do Teto de Gastos, para calibrar a "aterrissagem" da economia

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em Brasília

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 O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que uma campanha de vacinação em massa custaria cerca de R$ 20 bilhões para os cofres públicos.

“(Com a pandemia) Gastamos mais ou menos R$ 600 bilhões. Se formos partir para uma campanha de vacinação em massa, devem ser mais ou menos R$ 20 bilhões”, comentou durante participação em audiência pública da Comissão Mista de acompanhamento à situação fiscal do enfrentamento à pandemia, nesta sexta-feira (11).

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O ministro ainda afirmou que a vacinação em massa ajudaria uma retomada mais sustentável do crescimento econômico. Para ele, o setor de serviços, que representa maior parte da economia, ainda sente dificuldades de retomar por causa da pandemia, o que seria parcialmente resolvido com a vacina. 

“(A vacinação) é uma aspiração do brasileiro e um direito. Se existe essa vacina temos que buscar onde tiver e não vai ser por falta de recursos que nós vamos deixar de cumprir essa obrigação”, afirmou o ministro. 

Guedes também comentou que o governo ainda estuda o uso de ferramentas, dentro do Teto de Gastos, para calibrar a “aterrissagem” da economia brasileira no pós-crise.

“Nós temos capacidades de adiantar benefícios e diferir arrecadações. Temos várias ferramentas que vão nos permitir calibrar a aterrissagem da economia”, observou.  

Ele ainda reforçou que, mesmo com o fim do auxílio emergencial em 31 de dezembro deste ano, os beneficiários do programa ainda contarão com uma cobertura até janeiro e metade de fevereiro.

Críticas à Maia 

O ministro voltou a dizer que, por enquanto, a inflação é um choque de oferta setorial e temporário. Assim, voltou a defender a retirada do auxílio emergencial, como ferramenta fiscal, e a autonomia do BC, como ferramenta monetária, para impedir que a alta se torne generalizada e permanente.

No entanto, ele criticou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, por estar ‘travando’ a pauta de votações da Casa e impedir assim o avanço de projetos de interesse do governo. 

“O problema da inflação está ai, o Senado já fez sua parte e agora o presidente da Câmara, que sempre apoiou isso publicamente, precisa fazer a dele: pautar o BC independente. Estamos esperando o presidente da Câmara. Tem baixo custo político, nada tem a ver com as guerras políticas, com presidência disso ou daquilo”, argumentou. 

Além da autonomia do BC, Guedes também cobrou o andamento da reforma Tributária.

“Quanto a Tributária? Sim, temos dificuldade de avançar. Como que vou avançar se eu não consigo sequer receber o relatório? Como que vou opinar se nunca vi o relatório? Agora, eu tenho abastecido e alimentado lá, dando elementos e até pedaços de redação na reforma que ele (Maia) quer fazer”, disse.

“Agora, nós dissemos que não vamos aumentar imposto, não adianta fazer aliança com a esquerda para aumentar imposto. Não vamos ser solidários a isso. A prioridade é controle de despesas, reforma administrativa, que também está travada na Câmara”, criticou. 

Segundo ele, os pontos em que o governo não conseguiu avançar, como privatizações e tributação, foram exatamente os dois que não receberam cooperação da Câmara dos Deputados.

“Tem uma interdição na discussão dos impostos e uma interdição na discussão dos impostos. São dimensões onde não conseguimos avançar, mas avançaremos. Certamente com ajuda do presidente da Câmara”. 

“É muito fácil disfarçar desentendimentos políticos passando a conta para quem já fez sua parte. Nós já entregamos tudo, basta aprovar. Quem diz o timing das reformas é a política, não adianta voltar a conta para a Economia”, completou. 

O ministro comentou também sobre críticas que o governo recebeu nos últimos dias após a publicação de uma foto da equipe econômica junto ao presidente da República, Jair Bolsonaro, na qual todos aparecem sem máscara. 

“Fizemos uma prestação de contas, trocamos ideia, e, quando acabou (a reunião), a equipe pediu para tirar uma fotografia. Inclusive, estava em clima sério da reunião e o próprio presidente brincou e falou ‘poxa, vocês nunca vem aqui e quando vem tira foto comigo e todo mundo de cara fechada. Vamos dar um sorriso. PG (Paulo Guedes) tira essa máscara, dá um sorriso’. Todos riam da brincadeira do presidente e o fotógrafo tirou a foto. Ai hoje, para variar está “a equipe celebrando e rindo em meio às mortes”.

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