Guerra e reajuste da Petrobras ainda não devem influenciar IPCA-15, diz economista

Especialista estima alta de 0,6% para o mês de março. Resultado da prévia da inflação será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira

Indicadores serão divulgados na manhã desta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Indicadores serão divulgados na manhã desta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Marcos Santos/USP Imagens

Beatriz Puenteda CNN

No Rio de Janeiro

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Uma projeção feita pelo economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da CNN, aponta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve ter uma alta de 0,6% em março. Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), do período de janeiro a março deste ano, deve chegar a 2,17%.

Ambos serão divulgados na manhã desta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Prévia da inflação, o IPCA-15 considera a segunda quinzena do mês anterior e a primeira do atual, ou seja, compreende o período de 12 de fevereiro a 16 de março. Já o IPCA-E traz o acumulado trimestral do IPCA-15.

As taxas do IPCA-15 registradas em janeiro e fevereiro foram, respectivamente, 0,58% e 0,99%. Com a previsão de 0,6% para o mês de março, se alcança a estimativa de 2,17% do economista André Braz.

Esses resultados, de acordo com o especialista, ainda não refletem os impactos da guerra entre Ucrânia e Rússia por conta do período de coleta dos dados.

“Nenhum efeito de petróleo ou mesmo de trigo. Isso porque a escalada do aumento do preço do trigo e da farinha e de toda a cadeia de derivados, assim como dos combustíveis, teve um aumento logo no final da coleta desse IPCA-15. Então, ele deve captar muito pouco desses efeitos mais recentes da inflação”, explica Braz.

O mesmo é observado pelo especialista sobre a influência da gasolina. Com o reajuste da Petrobras tendo início no dia 11 de março, ainda não será possível dimensionar o impacto da alta do combustível no índice.

“Não houve tempo então de coletar preços novos da gasolina, até porque, para medir inflação, precisa coletar preços de combustível ao longo do mês. Então, na maior parte dos dias do IPCA-15, a gasolina estava no preço antigo”, pontua Braz.

Porém, os preços dos alimentos in natura, ou seja, que não são industrializados, podem impulsionar os números, segundo o economista. Ele cita que produtos como a beterraba, a cenoura e a cebola podem ser os mais afetados pelo excesso de chuva e calor do verão.

Outros itens que devem ganhar relevância na divulgação, segundo André Braz, seriam os eletrodomésticos e o setor de serviços, que não têm influência direta com o conflito no leste europeu.

“Bens duráveis, automóveis novos e usados devem aparecer com algum destaque, além de eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos. Alguns serviços, como restaurante e salão de beleza, também devem aparecer”, cita o economista.

Segundo Braz, o IPCA-15 do mês de abril já deve captar os impactos da guerra na Ucrânia em seus resultados. A tendência, segundo ele, é de que o índice fique entre 0,9% e 1%.

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