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    Guerra pode travar venda de fábrica de fertilizantes da Petrobras, diz especialista

    Governo do Mato Grosso do Sul informou que a empresa gastou mais de R$ 3 bilhões para construir a fábrica

    Tanques de combustíveis da Petrobras em Paulínia
    Tanques de combustíveis da Petrobras em Paulínia 1/07/2017REUTERS/Paulo Whitaker

    Fernanda Nunes, do Estadão Conteúdo

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    A guerra na Ucrânia deve atrapalhar a venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), da Petrobras. Instalada no município de Três Lagoas (MS), a fábrica estava sendo repassada à empresa russa Acron.

    A assinatura do contrato dependia só do aval da área de governança da petrolífera quando a guerra estourou. Agora depende também do tempo que o conflito vai durar e de seus efeitos no caixa da Acron.

    Apesar do valor envolvido não ter sido informado pelas empresas, o governo do Mato Grosso do Sul informou que a Petrobras gastou mais de R$ 3 bilhões para construir a fábrica.

    Parte desse dinheiro se perdeu com a deterioração dos equipamentos ao longo dos anos, desde a suspensão da obra em 2014.

    “O acesso do Banco Central e das empresas russas às suas reservas e a ativos em dólar estão bloqueados e foram cancelados do sistema de pagamento internacional, o Swift. Sem poder movimentar dinheiro, a Acron não pode fechar o negócio, pelo menos por enquanto”, afirma Rodrigo Leão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

    Esse não é um problema para a Petrobras, pois a assinatura do contrato não estava prevista nos próximos dias. Segundo uma fonte da petrolífera, alguns trâmites internos ainda têm de ser cumpridos, o que costuma levar meses.

    A questão é que os dois lados estavam empenhados em acelerar o processo para que a empresa russa começasse a operar a fábrica já em julho.

    “O negócio só será inviabilizado se a guerra e os efeitos da sanção econômica se estenderem e a Acron perder o fôlego para novas aquisições”, afirma Leão.

    Pompa

    No dia 11 de fevereiro, quando a guerra ainda era uma tensão geopolítica, o vice-presidente da empresa, Vladimir Kantor, foi ao Mato Grosso do Sul acompanhado de representantes da Petrobras, para conversar com o governador Reinaldo Azambuja. O encontro foi comemorado pelo governo local, que há anos aguarda por um investidor na UFN-III.

    A unidade começou a ser construída em 2011. Três anos depois, as obras foram paralisadas com 81% das instalações de pé. Hoje, a fábrica é um esqueleto em Três Lagoas e o esforço da Petrobras se limita a evitar a degradação dos equipamentos.

    O encontro dos executivos com o governo local foi marcado exatamente para acelerar o início das operações.

    Um grupo de trabalho foi formado para elaborar o documento que vai oficializar os benefícios fiscais oferecidos pelo Estado à retomada da obra.

    “Temos toda intenção de concluir essa venda no prazo mais rápido possível”, afirmou, no dia, a gerente executiva de Gestão de Portfólio da Petrobras, Ana Paula Saraiva.

    Mudança de planos

    A UFN-III foi planejada em um momento em que a Petrobras idealizou o uso do futuro gás do pré-sal como matéria-prima em diferentes negócios, um dos principais era a produção de fertilizantes, importado em larga escala pelo setor agrícola brasileiro.

    Em 2014, porém, sob nova gestão, voltada a resolver as finanças da estatal, a Petrobras decidiu vender todos os ativos não relacionados a seu negócio principal, a exploração e produção de petróleo bruto e gás, em águas profundas e ultraprofundas.

    Para a Acron, o negócio é vantajoso. A empresa é uma das líderes mundiais no fornecimento de fertilizantes. Em seu site, diz ter vendido seus produtos a 74 países em 2020.

    Entre seus principais mercados, estão “Rússia, Brasil, Europa e Estados Unidos”, nesta ordem. Na UFN-III, ela teria a chance de produzir 3,6 mil toneladas por dia de ureia e 2,2 mil toneladas por dia de amônia, a partir de 2,2 milhões de m³ por dia de gás.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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