Há 10 anos, a Tesla realizava seu IPO; veja as previsões de Elon Musk na época

Em 2012 a meta era produzir 20 mil unidades do Model S. Em 2013 Tesla vendeu 22.477 carros – um aumento acentuado em relação aos 3,1 mil do ano anterior

Elon Musk em 29 de junho de 2010, dia do IPO da Tesla na Nasdaq
Elon Musk em 29 de junho de 2010, dia do IPO da Tesla na Nasdaq Foto: CNN

Poppy Harlow,

do CNN Business, em Nova York

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Lembro-me bem daquele dia. Era uma daquelas manhãs perfeitas e claras da cidade de Nova York. Seria minha primeira vez entrevistando um homem que todos conhecemos agora, e que muito provavelmente continuará a mudar o mundo: Elon Musk.

Aquele dia, pouco mais dez anos atrás, foi o dia da oferta pública inicial da Tesla, 29 de junho de 2010, e Musk estava dando entrevistas do lado de fora da bolsa de valores Nasdaq.

Ficamos na frente de um Tesla Model S. vermelho novinho em folha. Na época, o carro era a vanguarda da tecnologia automotiva. O empresário me disse que o IPO daria à Tesla “um pouco de proteção adicional caso o Model S demore mais do que o esperado [para ser lançado]”.

A meta era que o Model S fosse lançado em 2012. “Esperamos atingir uma taxa de produção de 20 mil unidades por ano no início de 2013”, contou. No fim, a Tesla vendeu 22.477 carros em 2013 – um aumento acentuado em relação aos 3,1 mil do ano anterior.

Musk me contou que seu maior sonho era ser fazer um carro para o povo. “O que espero que estejamos fazendo em cinco anos é nosso veículo de mercado de massa”, afirmou. “De início, meu sonho para a Tesla era fazer veículos elétricos para o mercado popular”.

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Dez anos depois, o Model 3 da Tesla, o modelo mais acessível da montadora, custa atualmente cerca de US$ 38 mil. É mais barato comprar um Tesla hoje que no início da empresa, mas ainda assim ela continua sendo uma marca de luxo.

Quando questionado sobre o tamanho que ele imaginava para Tesla no futuro, ele respondeu: “muito maior que a Ferrari, e tomara que maior que a Porsche”. A Tesla, que agora vende centenas de milhares de carros por ano, conquistou as duas metas.

À época, embora muitos tenham tido a sensação de que Musk seria um enorme líder nesse setor, muitos também questionaram a viabilidade da empresa. O que quase nenhum de nós sabia naquela época era o quanto ele arriscaria na década seguinte.

Como ousar levar os terráqueos para Marte.

Em entrevista no mês passado, ele disse a Maureen Dowd, do The New York Times, que não teve tempo para projetar sua própria casa porque isso desviaria seu foco de “levar as pessoas a Marte e à sustentabilidade ambiental e acelerar a energia estável”. Os comentários foram feitos apenas alguns meses depois de Musk colocar à venda duas de suas mansões particulares multimilionárias no sul da Califórnia e tuitar que estava vendendo a maioria de seus bens.

Há também outros empreendimentos de Musk, muitos dos quais ainda estão em fase de elaboração, incluindo:

– Aeroportos espaciais offshore, ou seja, plataformas de lançamento flutuantes para o foguete Starship da SpaceX para ir à lua e Marte e levar turistas espaciais para a órbita da Terra.

-O Hyperloop, um sistema de trânsito de alta velocidade que enviará cápsulas por uma rede de túneis subterrâneos.

– The Boring Company, que visa construir túneis em Las Vegas e Los Angeles para sistemas de trânsito subterrâneo (como o Hyperloop) e evitar engarrafamentos acima do solo.

– Implantes Neuralink que podem se conectar com nossos cérebros e se comunicar com smartphones.

– SolarCity, negócio de painéis solares da Tesla.

O que Musk enxergou – e enxega – como possível, a maioria não vê assim. E na década seguinte, Musk desenvolveu uma relutância em desistir.

O empresário também é conhecido por ser franco e falar sem filtros, uma raridade entre os CEOs de empresas de capital aberto.

Ele também se tornou um para-raios por seus comentários – tanto políticos quanto sociais. No Twitter e ao falar com investidores, Musk questionou repetidamente a ameaça do coronavírus e protestou contra os pedidos para ficar em casa, chamando-os de “fascistas”. Ele até tuitou que acha que o preço das ações da Tesla é muito alto, fazendo com que os papéis, e uma boa parte de sua fortuna pessoal, encolhessem temporariamente

Em 2018, a SEC (omissão de Valores Mobiliários dos EUA) alegou que Musk enganou os investidores quando tuitou que tinha “financiamento garantido” para tornar a Tesla privada. O tuíte custou Musk (e à Tesla) multa pesada de US$ 20 milhões para cada um. Como parte do acordo de conciliação da SEC, Musk também concordou em desistir de sua posição como presidente da Tesla, embora continue sendo seu CEO.

A Tesla acaba de registrar seu primeiro lucro anual em janeiro. Ainda assim, no momento em que este artigo era escrito, a Tesla era mais valorizada do que a Ford (F), GM (GM) e Fiat Chrysler (FCAU) juntas. Ela também ultrapassou a Toyota (TM) como a montadora de automóveis mais valiosa do mundo.

Para os vendedores a descoberto que estavam apostando que as ações da Tesla cairiam, Musk respondeu em julho com uma linha agora esgotada de shorts da Tesla [o short como peça de roupa, em uma brincadeira com short selling, ou venda a descoberto] por US$ 69,420 a peça.

“Relaxe ao lado da piscina ou em ambientes fechados o ano todo com nossos Tesla Short Shorts em edição limitada”, dizia o anúncio do site da empresa. “Desfrute de um conforto excepcional com o toque do sino de encerramento”.

Os minúsculos shorts de cetim vermelho foram um sucesso completo, esgotando logo depois de serem colocados à venda. E, no estilo típico de Musk, ele tuitou: “Droga, quebramos o site!”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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